Após sucesso inicial na Bundesliga, RB Leipzig dá continuidade ao seu modelo
A TEMPORADA 2016-17 representou a estreia do RB Leipzig na elite do futebol alemão. Embora o planejamento do clube contemplasse a conquista breve de uma vaga na Liga dos Campeões, os Bullen não esperavam sucesso imediato. Sua postura no mercado de transferências rendeu resultados impressionantes. Líder da Bundesliga em algumas rodadas, terminou a disputa em segundo lugar. O êxito, todavia, não provocou ruptura na política de contratações, que segue privilegiando a busca de jovens valores.

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Individualmente, três nomes se destacaram no ano: Naby Keïta, Emil Forsberg e Timo Werner. O primeiro foi o motorzinho do meio-campo; o segundo, o principal assistente entre as maiores ligas do futebol europeu, com 19 passes para gol; e o terceiro, o maior goleador da equipe, autor de 21 tentos. Um guineense, um sueco e um alemão. Em comum, o fato de terem sido captados ainda jovens, com a promessa de receber condições adequadas para seu desenvolvimento.
Dando profundidade ao setor defensivo
Em que pese o bom desempenho nos últimos tempos, ficou evidente a necessidade de encorpar o elenco, sobretudo diante de desafios cada vez mais exigentes. Algumas contratações foram confirmadas e apenas uma baixa relevante, a saída do atacante Davie Selke para o Hertha Berlin, foi concretizada. O padrão segue mantido.
A meta defendida pelo húngaro Péter Gulácsi ganhou a concorrência do suíço Yvon Mvogo. Aos 23 anos, chega desde o Young Boys. Com passagem pelas equipes de base helvéticas, já foi chamado ao selecionado principal, mas ainda não estreou. Em 2016-17, disputou 47 jogos e conseguiu 15 clean sheets. Destaca-se pelos reflexos e a capacidade de se impor em situações de um contra um. Custou 5 milhões de euros ao RB Leipzig.

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Além dele, o clube acertou a chegada sem custos de Phillip Köhn, goleiro da seleção suíça sub-19, proveniente do Stuttgart.
A zaga foi reforçada por Ibrahima Konaté, francês de 18 anos. Cria da academia do Sochaux, também não custou nada aos cofres do clube alemão. Com experiência representando os Bleus nos escalões sub-16 e 17, subiu aos profissionais no segundo turno da Ligue 2 e foi titular na reta final. Foram 13 partidas e um gol marcado. Os reforços mais importantes, no entanto, concentram-se no meio-campo e no ataque.
Força, habilidade e polivalência
Vindo do irmão RB Salzburg, o austríaco Konrad Laimer, de 20 anos, custou 7 milhões de euros e reforça a faixa central. Outro atleta de extensa passagem pelas camadas inferiores da seleção de seu país, destaca-se na recuperação da bola, notadamente pela força nos combates e o tempo de bola. Com essas características, é visto como eventual substituto ou companheiro de Keïta.
Em 2016-17, disputou 43 jogos e marcou quatro gols. Nos quatro encontros em que esteve em campo pela Liga Europa, alcançou médias de 3,8 desarmes e 3,3 interceptações por partida. Porém, cometeu 3,3 faltas e acertou somente 71% de seus passes.
O reforço mais conhecido internacionalmente chega para as pontas. Embora tenha apenas 22 anos, o português Bruma já atuou em quatro equipes de três países. Formado na base do Sporting CP, foi comprado ainda jovem pelo Galatasaray. Na Turquia, sofreu com dificuldades de adaptação e lesões; acabou emprestado, primeiro ao Gaziantepspor, depois à Real Sociedad. A despeito disso, brilhou na última campanha.
Suas capacidades técnicas na condução da bola, em velocidade, ocasionaram lances plásticos e muitos gols. Em 37 jogos, anotou 11 tentos. Contratado por 12,5 milhões de euros, é alternativa pelas duas pontas e para a posição de segundo atacante. Finalmente, para a posição de centroavante, que perdeu Selke, os Bullen foram ao Paris Saint-Germain buscar o promissor Jean-Kévin Augustin.
Aos 20 anos, perdeu boa parte da temporada 2016-17 por lesão, mas tem um histórico de referência. Pelos parisienses, disputou 31 jogos, a maioria em poucos minutos, somando dois gols apenas. Por outro lado, representou a França nos escalões sub-16, 17, 18, 19, 20 e 21, totalizando 38 encontros e 24 bolas nas redes. É um camisa 9 veloz e com boa definição, que pode ocasionalmente cair pelos flancos.
Os 13 milhões de euros pagos pelos seus serviços não parecem excessivamente onerosos diante da expectativa que enreda seu nome.
Visão e coerência
Em entrevista à Deutsche Welle em fevereiro de 2017, Ralf Rangnick, diretor esportivo do clube, esclareceu pontos-chave da política empreendida pelo RB Leipzig.
“Em 2006, no Hoffenheim, e aqui em Leipzig a partir de 2012, começamos do zero. Em ambos os casos, buscamos contratar um staff competente. Em outras palavras, os melhores homens e mulheres para o trabalho […] O desenvolvimento tem sido baseado, principalmente, na qualidade de nossos jogadores e na sua consequente evolução […] seguimos nosso próprio caminho. Não posso dizer que o que estamos fazendo é melhor ou pior do que os outros. Só posso dizer que temos convicção. Primeiro nos perguntamos com que estilo queríamos jogar, então observamos, contratamos e desenvolvemos os jogadores”.
É difícil prever os resultados que o RB Leipzig pode obter na temporada 2017-18. Fora dos campos, porém, a diretoria dobrou a aposta no que vem dando certo. Os Bullen mantiveram sua linha de trabalho, fortaleceram o elenco e estão se preparando para o futuro.

