Milan acerta ao apostar em Franck Kessie
DESDE A TEMPORADA 2012-13, o Milan não disputava uma competição continental; os últimos anos não foram amistosos com os Rossoneri. Em 2016-17, a duras penas, conseguiu se classificar para a Liga Europa. É pouco diante de sua história, mas é um início. Para continuar no caminho de reconstrução, renovou o contrato do treinador Vincenzo Montella e anunciou sua primeira contratação: o promissor Franck Kessie, uma das revelações da última edição da Serie A.

Marfinense de 20 anos, o meio-campista brilhou na campanha 2016-17, sobretudo na primeira metade. Inspirado por Yaya Touré, seu compatriota e craque do Manchester City, e por Michael Essien, ganês que se destacou com as camisas de Lyon e Chelsea, Kessie foi um dos responsáveis pela excelente campanha da Atalanta na Serie A.
No centro do campo, é capaz de tudo. Se ainda apresenta alguma oscilação no desempenho, revela também que com a maturidade está destinado à grandeza. Mais do que suas características como futebolista, é a personalidade que chama atenção. Kessie não se intimida durante as partidas, não se apaga quando as coisas não saem bem. Trata-se do tipo de atleta capaz de carregar a missão de equilibrar a intermediária de qualquer time.
Franck é mais um exemplar de box-to-box. Seu passe é bom — registrou média de 84,4% de êxito na temporada 2016-17 — e sua movimentação, intensa. Ele foi o motorzinho da Atalanta, ajudando os defensores na saída de bola e os jogadores mais ofensivos nas tarefas criativas. Há, entretanto, espaço para melhorias.

Foto: Maurizio Lagana/Getty Images
Um diamente bruto
Mesmo não sendo um volante de contenção por excelência, sua taxa de desarmes e interceptações é baixa. Em média, apenas 1,2 por jogo em ambos os casos. Mais importante: é preciso trabalhar a coordenação das ações. Apenas 29% dos desarmes tentados foram bem-sucedidos. Destaques da Serie A como Lucas Biglia, Kevin Strootman, Allan ou Radja Nainggolan superam os 40%. É algo a trabalhar.
Ainda assim, sua missão não é carregar o piano milanista, mas manter a orquestra funcionando. Por isso, o clube acerta em cheio na contratação. O caráter coletivo e agregador do jogo de Kessie pode ser fundamental para consolidar o renascimento da equipe.
O Milan não conta com muitas alternativas para o meio-campo. Sua referência segue sendo o envelhecido Riccardo Montolivo. Apesar do potencial, Manuel Locatelli ainda não se firmou. As outras alternativas são mais irregulares: Juraj Kucka, José Sosa e o talentoso Mario Pasalic. Faltou alguém apto a manter, a partir do meio-campo, o funcionamento da equipe. Essa figura pode ser Kessie.
Capaz de arrancadas de puro instinto, o marfinense pode contagiar seus companheiros. A facilidade para chegar à área adversária o torna raro. Além disso, a forma como interpreta os espaços no campo possibilita sua chegada ao ataque como elemento surpresa, outro ponto a ser explorado pelo treinador Vincenzo Montella.

Foto: Reprodução
Calma, Kessie
Há um contraponto a ser feito: Kessie precisa controlar sua agressividade. Em 2016-17, recebeu cinco cartões amarelos, não é tanto. Entretanto, foi expulso duas vezes. Passando a atuar no clube que mais recebeu cartões vermelhos na Serie A em 2016-17, com 13 expulsões, terá que trabalhar esse ponto.
O Milan ainda não retornou aos tempos áureos, mas vai encontrando novos caminhos. Tem contratado jogadores que precisam se provar, casos de Gerard Deulofeu e Suso, por exemplo, e apostado na prata da casa, com Gianluigi Donnarumma, Davide Calabria e Locatelli. O marfinense faz parte dessa nova tentativa e tem condições de se encaixar nessa filosofia. Além dele, o clube anunciou a incorporação do lateral esquerdo suíço Ricardo Rodríguez, ex-Wolfsburg.
“Conversei com o treinador e ele me disse: ‘Venha para cá que você se tornará um grande jogador’”, disse o jovem em sua primeira entrevista à TV Milan.
Contratado por empréstimo de dois anos com obrigação de compra no importe de 20 milhões de euros, Kessie prova que o Milan voltou a ter ambição. Convencer um jogador pretendido por Chelsea, Arsenal e Manchester United a firmar pelo Diavolo é prova suficiente. Ladeado pelas referências de Montolivo e Giacomo Bonaventura, o ex-jogador da Atalanta tem tudo para crescer com o clube e se transformar em peça fundamental em mais uma tentativa de renascimento dos Rossoneri.
