Club Brugge 1975-1978

TREINADO POR ERNST HAPPEL, que na alvorada da década havia conquistado a Liga dos Campeões pelo Feyenoord, o Club Brugge chegou perto de vários êxitos internacionais e foi o grande campeão doméstico. Era o meio dos anos 1970.

Club Brugge 1970s

Em pé: Jensen, Bastjins, Volders, De Cubber, Leekens, Vandereycken; Agachados: Sorensen, Cools, Lambert, Sanders, Courant

Time: Club Brugge

Período: 1975-1978

Time base: Jensen; Bastijns, Leekens, Krieger, Volders; Vandereycken, Cools, De Cubber; van Gool (Davies), Lambert (Simoen), Le Fevre (Sorensen). Téc.: Ernst Happel

Conquistas: Tricampeonato Belga (1975-76, 76-77 e 77-78) e Copa da Bélgica (1976-77)

Domínio nacional

Em sua primeira passagem pelo futebol belga, o austríaco Ernst Happel fez o que sabia: montou uma defesa sólida, organizou o meio e potencializou o ataque. Era um 4-3-3 clássico. Em solo doméstico, não teve para ninguém.

No campeonato nacional de 1975-76, os Blauw-Zwart somaram quatro pontos a mais que o rival Anderlecht e ficaram com o caneco.  O impressionante saldo de +43 gols confirmou o equilíbrio entre defesa e ataque. Vale lembrar: a vitória rendia apenas dois pontos.

No ano seguinte, a história se repetiu. Novamente, o Club Brugge ficou quatro pontos além do Anderlecht, com uma defesa que concedeu apenas 30 tentos, em 34 rodadas. O ataque, por outro lado, marcou 72. O acirramento da rivalidade aconteceu na final da Copa da Bélgica, com um triunfo impressionante dos azuis e pretos. O Anderlecht chegou a abrir um placar de 3 a 1, antes de sofrer uma dolorosa virada. Placar final: 4 a 3.

O coletivo da capital, Bruxelas, ficou mordido e deu seu melhor no Campeonato Belga de 1977-78. Continuou em segundo lugar, agora um ponto atrás do tricampeão.

Ernst Happel Brugge CHampions

Foto: Reprodução

Apesar disso, em competições continentais, o Club Brugge lidou com um enorme obstáculo: o Liverpool, de Bob Paisley. O primeiro golpe aconteceu na final da Copa da Uefa, em 1975-76.

Várias vezes na trave

Depois de eliminar equipes fortes como Lyon, Ipswich Town, Roma, Milan e Hamburgo, o Club Brugge foi à final.  Em Anfield, largou com tudo. Aos cinco minutos, já havia se adiantado no placar, com Raoul Lambert. Chegou a aumentar, mas, em meros seis minutos, cedeu a virada no segundo tempo: 3 a 2. No Olympiastadion, o empate por 1 a 1 valeu o título para os Reds.

Dois anos depois, a decepção veio na Liga dos Campeões de 1977-78, em que o caminho belga foi ainda mais duro.

Depois de uma estreia tranquila contra o KuPS, da Finlândia, os Blauw-Zwart bateram Panathinaikos, Atlético de Madrid e Juventus. Foram à final, disputada em Wembley. Em território inglês, o Liverpool, que acabara de eliminar o Borussia Mönchengladbach, de Juup Heynckes, venceu por 1 a 0. O gol foi dele, Sir Kenny Dalglish.

 

Vale lembrar que, entre as duas temporadas, na Liga dos Campeões de 1976-77,  o Club Brugge chegou a eliminar o Real Madrid de Paul Breitner, antes  de sucumbir nas quartas de finais, contra o citado Gladbach.

Um time longevo

O Club Brugge alinhava um time de respeito. No gol, o dinamarquês Birger Jensen era o titular e se tornou um dos maiores ídolos da história do clube em que atuou por 14 anos (1974-88). Foram 390 partidas pelo clube e, curiosamente, ficou lembrado por sua afeição pela cobrança de pênaltis. Na ausência de Raoul Lambert, o principal batedor, era um dos candidatos, sempre aparecendo entre os cinco primeiros em disputas de pênaltis. Selecionável entre 1974 e 79, não teve sucesso defendendo seu país e, ao final da carreira, escolheu Bruges como morada.

Birger Jensen

Foto: Reprodução

Pela lateral direita, Fons Bastijns era o capitão. Outro ídolo do clube, foi contratado em 1967 para jogar no ataque. Rapidamente, acabou recuado, muito em função da prematura morte do inglês Brian Hill, em 1968. Ao todo, o Gentleman, como ficou conhecido, disputou 502 jogos pela equipe, entre 1967 e 81. Pelo outro lado, Jos Volders era o titular. Outro atleta de longa passagem (1974-82), surgiu no Anderlecht, em que atuou por sete anos, mas sua história se consagrou vestindo azul e preto, em 232 jogos.

Diferentemente da maioria dos laterais da época, Bastijns e Volders eram ofensivos, demandando suporte da defesa central, setor em que Georges Leekens era a principal referência. Sua imposição física, notada nos carrinhos precisos e tempestivos, rendeu-lhe o apelido de Mac the Knife. O belga fez 351 jogos em nove anos de clube (1972-81). Ao seu lado, Eddy Krieger, contratado já aos 29 anos, era um meio-campista reformado em líbero. Austríaco como o chefe, chegou em 1975 e partiu em 78. Entregou o serviço para o qual foi demandado.

Adiante, o meio-campo foi formado por um trio. Normalmente, ele começava por René Vandereycken. Conhecido por seu estilo provocador, destacava-se pela boa técnica, traduzida em posicionamento, qualidade de passes e finalização — o que fica provado por seus 87 gols, em 294 jogos. Principal protetor da defesa dos Blauw-Zwart, envergou a camisa 7 entre 1974 e 1981. Ainda, representou a Bélgica 50 vezes (1975-86).

René Vandereycken Club Brugge

Foto: Reprodução

Mais à direita, Julien Cools era o elo entre defesa e ataque. Melhor jogador do Campeonato Belga de 1977, era habilidoso e gostava de aparecer no ataque. Pelo time de Bruges, jogou 261 jogos e marcou 44 gols, entre 1973 e 79. Do outro lado, mas com menos cartaz, Daniël De Cubber exercia papel similar, com maior destaque nos passes. Atuou na equipe entre 1975 e 79, até o retorno entre 1981 e 84. Quem também realizou essa função em alguns compromissos foi o camisa 10, Paul Courant. Era o titular natural, mas convivia com lesões.

Brilho ofensivo

O ataque começava a ser escalado por Roger van Gool, o ponta direita. Habilidoso, driblador e grande assistente, passou apenas duas temporadas no clube, deixando-o em 1976. Foi vendido ao Colônia e se transformou na primeira transferência milionária da história da Bundesliga. A mudança fez com que, em várias oportunidades, Happel preferisse atuar com dupla de frente e um meio-campo mais robusto.

No centro do ataque, Raoul Lambert era o ícone da equipe. Criado na base do Club Brugge, defendeu-o entre 1962 e 80, totalizando 458 jogos e 270 gols. Lotte, como é lembrado, estreou aos 17 anos e se despediu aos 35, consolidando-se um raro caso de one-club man. Em toda a carreira, foi advertido apenas duas vezes com cartões amarelos. Sabia jogar.

Raoul Lambert Club Brugge

Foto: Reprodução

Pela esquerda, Happel escalava o dinamarquês Ulrik le Fevre, contratado em 1972. Ele já era uma grande notícia desde os tempos de Gladbach e ficou até 77. Após sua saída, Lambert jogou muitas vezes com o inglês Roger Davies, que era grandalhão (1,91m) e impunha ao belga a tarefa de se deslocar pelo ataque.

Outra alternativa era a utilização do também ponta esquerda dinamarquês, Jan Sorensen, oficialmente o substituto de Le Fevre e que permaneceu até 1983.

Com essa esquadra, Ernst Happel elevou o estatuto do Club Brugge. Sua filosofia era clara: os jogadores deviam ganhar um salário suficiente, nunca alto demais, com prêmios por objetivos no horizonte. Assim, almejariam sempre o topo. Deu certo. O coletivo belga ganhou fama internacional e elevou sua importância doméstica.

Até então, os Blauw-Zwart só haviam conquistado o Campeonato Belga duas vezes.

Partidas importantes no período

Final da Copa da Uefa 1975-76: Club Brugge 1×1 Liverpool

Estádio Olímpico, Brugges

Árbitro: Rudi Glöckner

Público 32.000

Gols: 11′ Lambert (Club Brugge); 15′ Keegan (Liverpool)

Club Brugge: Jensen; Bastjins, Leekens, Krieger, Volders; Vandereycken, Cools, De Cubber (Hinderyckx); van Gool, Lambert (Sanders), Le Fevre. Téc.: Ernst Happel

Liverpool: Clemence; Phil Neal, Thompson, Hughes, Tommy Smith; Ray Kennedy, Steve Heighway, Jimmy Case; Josh Toshack (Fairclough), Kevin Keegan, Ian Callaghan. Téc.: Bob Paisley

Quartas de finais da Liga dos Campeões 1976-77: Club Brugge 2×0 Real Madrid

Estádio Olímpico, Brugges

Árbitro: Ken Burns

Público 32.000

Gols: 17′ Le Fevre e 45′ Rubiñan (contra) (Club Brugge)

Club Brugge: Jensen, Bastjins, Leekens, Krieger, Volders; Vandereycken, Courant, Cools; Roger Davies, Lambert e Le Fevre. Téc.: Ernst Happel

Real Madrid: Miguel Ángel; Uría, Benito, Sol, Camacho; Rubiñan, Manuel Velázquez (Vicente del Bosque), Paul Breitner; Santillana, Jensen, Guerini (Roberto Martínez). Téc.: Miljan Milijanic

Final da Liga dos Campeões 1977-78: Liverpool 1×0 Club Brugge

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Charles Corver

Público 92.500

Gol: 64′ Dalglish (Liverpool)

Liverpool: Ray Clemence; Phil Neal, Phil Thompson, Emlyn Hughes, Alan Hansen; Graeme Souness, Jimmy Case (Steve Heighway), Terry McDermott, Ray Kennedy; Kenny Dalglish e David Fairclough. Téc. Bob Paisley

Club Brugge: Birger Jensen; Fons Bastijns, Edi Krieger, Georges Leekens, Gino Maes (Jos Volders); Julien Cools, René Vandereycken, De Cubber, Jan Simoen; Lajos Ku (Dirk Sanders) e Jan Sorensen. Téc. Ernst Happel

Wladimir Dias

Idealizador d'O Futebólogo. Advogado, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Escrita Criativa. Mestre em Ciências da Comunicação. Colaborou com Doentes por Futebol, Chelsea Brasil, Bundesliga Brasil, ESPN FC, These Football Times, revistas Corner e Placar. Fundou a Revista Relvado.

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  1. Unknown disse:

    Nos anos 70 o brugge e o anderlecht disputaram palmo a palmo a hegemonia na belgica e incomodaram muito na europa(nesse quesito o anderlecht se deu melhor).ambos os times ajudaram muito a belgica que em 80 seria vice na eurocopa.

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