O renascimento de Henrique Almeida no Coxa
O ANO ERA 2009 e uma geração promissora do São Paulo despontava na Copa São Paulo. O time chegou às semifinais com Bruno Uvini na zaga, Wellington no meio-campo e Oscar na armação. Mais jovens, Lucas Moura e Casemiro também estavam lá. Comandando o ataque, a referência era o centroavante Henrique, vice-artilheiro do torneio com 8 gols, um a menos que Bernardo, do Cruzeiro. Foi com esse cartaz que estreou entre os profissionais no mesmo ano.

Foto: Coritiba
Embora tenha se profissionalizado no São Paulo, Henrique começou a carreira no CFZ-DF, time de Zico, e ainda passou pela base do Atlético Paranaense antes de chegar ao Morumbi. Apesar da legenda com que apareceu para o futebol, o atacante nunca mostrou qualidade no Tricolor Paulista, sendo emprestado para o Vitória, Granada e Sport. Em toda a sua passagem pelo São Paulo, disputou 33 partidas e marcou apenas quatro gols.
Bom futebol só na seleção
No tempo fora da capital paulista, seguiu sem convencer. Somando todos os empréstimos, Henrique disputou 39 jogos, marcou oito gols e foi rebaixado com Vitória e Sport, clubes em que jogou um futebol apenas razoável. Ainda assim, em 2013, o Botafogo decidiu comprar 50% de seus direitos junto ao São Paulo, por cerca de 1 milhão de dólares.

Foto: Reprodução
Mas por que o Glorioso fez isso? Um ano antes, com a Seleção Brasileira Sub-20, Henrique brilhou.
O garoto fez um Mundial sub-20 fantástico. Membro de uma geração brasileira excelente, que contava com alguns de seus antigos companheiros de São Paulo, como Casemiro, Uvini e Oscar, e outros ótimos atletas, casos de Philippe Coutinho, Fernando e Danilo, foi o artilheiro do certame e recebeu o prêmio de melhor jogador do torneio, que o Brasil venceu. Apesar disso, sua carreira em clubes não decolava.
No Botafogo, seu trajeto continuou tortuoso. Marcando poucos gols, voltou à velha realidade: o empréstimo. Primeiro, o clube carioca tentou negociá-lo como Real Madrid Castilla, mas questões burocrátias levaram o clube espanhol a devolvê-lo. Em 2014, partiu para o Bahia, onde também não fez sucesso, anotando apenas 4 tentos em 31 jogos e sendo novamente rebaixado.
De volta ao Botafogo, seguiu escanteado e ainda um estorvo, uma vez que recebia um dos maiores vencimentos do elenco, cerca de R$ 130 mil, segundo revelou o UOL. Precisando reduzir a folha salarial, o Botafogo emprestou-o ao Coritiba no último mês de julho — arcando com metade de seu salário — e não tem do que se queixar.

Foto: Botafogo
Reencontro com Ney Franco
Desde que chegou ao Coxa, com o aval de Ney Franco, seu treinador na Seleção Brasileira sub-20, Henrique tem ajudado o clube na luta contra o rebaixamento, sendo o principal artilheiro do time no Brasileirão, com 9 gols em 13 jogos e uma média de 0,69 gol por partida, uma das melhores da competição.
Esses números incluem importantes marcas, como dobletes contra Palmeiras e Avaí — concorrente direto do Coxa na luta contra o rebaixamento — e um tento na importante vitória contra o rival Atlético Paranaense.
“Estou tentando recuperar meu futebol e buscando sequência. Porque, se tiver sequência, eu posso fazer um excelente término de campeonato”, revelou o atacante em sua chegada ao clube paranaense.

Foto: Marcos Bezerra/Futura Press
Deixando para trás o promissor Rafhael Lucas, que começou o ano voando, mas caiu de rendimento, Henrique se tornou o principal jogador do Coritiba e a grande esperança de salvação para o final da temporada. Assim, o Coxa já se movimenta para mantê-lo para o ano que vem, mas pode esbarrar na intenção do Botafogo de vendê-lo. Seu contrato com o alvinegro vige até dezembro de 2016.
Henrique se dá bem com Ney Franco e isso tem sido fundamental para seu renascimento. Aos 24 anos, já não é alvo das expectativas que o cercaram em seu início de carreira e talvez isso o esteja ajudando em sua retomada. O fato é que, independentemente das razões, após rodar por vários clubes sem sucesso, em 13 jogos o atacante já marcou mais gols pelo Coritiba do que por qualquer outra equipe que defendeu.
Henrique renasceu e vai aos poucos quebrando o estigma de eterna promessa. No momento, o camisa 91 é referência do ataque alviverde e vive cercado de duas esperanças palpáveis: a do salvamento do Coxa e a da confirmação de que sua carreira finalmente encontrou os trilhos definidos naquele já longínquo ano de 2009.
