O Futebólogo recomenda: O Caso Figo
O QUE SOBRA quando um ídolo troca o clube em que é amado pelo seu arquirrival? Na virada do século, Luís Figo protagonizou tal movimento ao deixar o calor dos braços da torcida do Barcelona pela insaciável sede de conquistas do Real Madrid. Foi a contratação mais cara da história e o português passou a receber vencimentos muito, muito mais elevados. Judas e pesetero foram algumas das alcunhas que recebeu.

Foto: Reprodução
O Caso Figo: A Transferência que Mudou o Futebol, produzido pela Netflix e lançado em 2022, relata os bastidores, capítulo por capítulo, de uma saga que não apenas repercutiu na esfera individual do craque lusitano, mas também no esporte.
A rivalidade nunca mais foi a mesma
Sem a promessa da contratação, talvez Florentino Pérez nunca tivesse sido eleito presidente do Real Madrid. Sem ele, não haveria Galácticos. Na impossibilidade do elenco mais estrelado de sempre, com Zinedine Zidane, Ronaldo e David Beckham se juntando a Figo, seu antídoto talvez não tivesse sido necessário. Ronaldinho ainda teria ido ao resgate do Barça? E, pouco depois, Pep Guardiola retornaria para mudar o esporte?
Enquanto Florentino caminhou para a construção de um império, tornando-se possivelmente o presidente mais notório da rica história madridista, Joan Gaspart passou aos livros como um dos mais odiados mandatários do Barça, símbolo de uma das gestões mais desastrosas de sempre — período que pavimentou a ascensão de Joan Laporta e Ferran Soriano.
No meio de tudo estão Figo, seu empresário e a imprensa; o dito, o repetido, o inventado e o silenciado.
Todas as vozes envolvidas se apresentam em um confronto em que a verdade, impossível de se cravar, está algures no meio de todos esses discursos. Assim como os sentimentos de quem foi protagonista de uma trama de interesses político-econômico-esportivos e de quem ficou para trás com a dor da traição.
Falam também os coadjuvantes: Pep Guardiola, Roberto Carlos, Fernando Hierro… assim como o polêmico empresário José Veiga e um intermediário inesperado, o ex-jogador Paulo Futre. O documentário não determina quem tem razão, deixa a tarefa em suspenso e, ao fazê-lo, transforma a disputa pela verdade no próprio espetáculo.
