Andreas Christensen recebe sua chance no Chelsea
TÊM SIDO RECORRENTES no Chelsea as contratações e a formação de jogadores de potencial. No entanto, o baixo aproveitamento dos jovens se transformou em tema frequente de debates, sobretudo porque, em anos recentes, os Blues chegaram a ter mais de 30 atletas emprestados a outras equipes. Essa foi a realidade do dinamarquês Andreas Christensen — nas últimas duas temporadas, representou as cores do Borussia Mönchengladbach. Agora, devido ao seu destaque, o defensor foi trazido de volta à Stamford Bridge e aguarda a chance de atuar e de ser exceção à regra.

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Alta demanda na defesa
Sob a direção do italiano Antonio Conte, o Chelsea conquistou o título da Premier League 2016-17 com sobras. Ainda assim, foi necessário um período de adaptações e mudanças. O esquema tático com três zagueiros, que se confirmaria tendência ao final da competição, só apareceu na 7ª rodada do certame e, curiosamente, contou com mais uma metamorfose do espanhol César Azpilicueta, lateral direito de origem e esquerdo, em variadas oportunidades. Os demais foram David Luiz e Gary Cahill.
Ausente das competições europeias, o clube londrino não sofreu tanto com a falta de profundidade do elenco. Interminável, o capitão John Terry foi a única alternativa durante a temporada completa, com Kurt Zouma se recuperando de lesão na segunda metade do ano e Nathan Aké retornando de empréstimo. Ficou evidente a necessidade de reforços para 2017-18, em que o Chelsea volta a disputar a Liga dos Campeões.

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Para evitar a sobrecarga do trio titular, até porque Terry se mudou para o Aston Villa, Aké para o Bournemouth e vem sendo especulado o empréstimo de Zouma, o clube buscou na Roma o zagueiro alemão Antonio Rüdiger, recentemente campeão da Copa das Confederações. Também reintegrou Christensen, após seu sucesso na Alemanha.
Um jogador adequado ao contexto
É improvável que a composição defensiva titular do Chelsea se altere no início da temporada 2017-18, diante de seu sucesso recente. Ainda assim, Christensen tem credenciais que o posicionam como uma aposta sólida.
Aos 21 anos, já vestiu três camisas de peso em seus países: de Brondby, Chelsea e Gladbach. Além disso, atuou como zagueiro, lateral direito e volante e, sobretudo no tempo na Alemanha, foi muitas vezes utilizado em esquema semelhante ao atualmente empregado pelos Blues, com linha defensiva composta por três beques.
Na última campanha, em especial, o desempenho do jovem foi excelente, tão bom que em alguns critérios supera o do trio londrino. Nas 31 partidas de Bundesliga que disputou em 2016-17, acumulou as médias de 1,5 desarmes, 2,3 interceptações, 2,7 vitórias no jogo aéreo e 3,9 rebatidas por partida — além de um percentual respeitável de 91,5% de aproveitamento nos passes. É impossível fazer um paralelo direto, por se tratar de equipes e torneios distintos, mas os valores falam.
Do número considerável de interceptações, rebatidas e superioridade no jogo aéreo, conclui-se a melhora do dinamarquês em termos de tempo de bola. Por outro lado, o índice de acerto de passes indica dois pontos: 1) qualidade para sair jogando; e 2) opção por movimentos mais simples, características importantes de um jogador de defesa.
Um jovem experiente
Christensen também chama atenção pela maturidade: sempre atuou em categorias superiores às indicadas para sua idade. Aos 17 anos, representava a seleção dinamarquesa sub-21; aos 19, estreou pela equipe principal, que já defendeu 11 vezes. No primeiro ano de empréstimo ao Gladbach, o treinador do Chelsea de então, José Mourinho, já se dera conta de que estava diante de um jogador que não aceitaria a reserva por muito tempo, retardando sua evolução.
O zagueiro retorna à capital inglesa com uma missão: surpreender Antonio Conte. Com tantas qualidades em evidência e a experiência de quem foi titular nas duas temporadas, mereceu a oportunidade, mas encara outro nível de desafio. Representar o campeão inglês exigirá o máximo de suas aptidões. Considerando o entrosamento alcançado por Cahill, Luiz e Azpi, além da conexão com laterais e volantes, o dinamarquês terá que remar muito para alcançar a titularidade. As qualidades estão lá.
Sem espaço, não seguirá no clube, como ocorreu com Aké e pode ocorrer com Zouma. Sua sorte está lançada; a chance pleiteada foi conquistada. Christensen faz a pré-temporada com o clube e precisa corresponder às chances recebidas para continuar em Stamford Bridge.

