Olympiacos vs. Panathinaikos: o clássico dos Inimigos Eternos
OLYMPIACOS E PANATHINAIKOS disputam o maior clássico de um dos países mais antigos da história da humanidade, a Grécia. A rivalidade tem sua origem ligada à disputa entre as classes sociais que originaram os clubes e aos territórios onde foram criados.

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Fundado em 1908, ainda que sob outra denominação, o Panathinaikos foi abraçado pela elite grega, justamente em função de se localizar no centro dos acontecimentos do país, a capital Atenas. O movimento foi capitaneado por Giorgos Kalafatis, que praticava futebol desde 1906, inspirado pelos Jogos Olímpicos daquele ano. Antes da fundação do clube, representava o Panellinios, descontinuado um ano antes, e junto com mais 40 jogadores, ajudou a estabelecer a futura potência nacional.
Um bom exemplo da forma como o clube integrou rapidamente seu espaço na sociedade grega foi a adoção do trevo como símbolo, uma década mais tarde. A inspiração veio do canadense de origem irlandesa William Sherring, vencedor da maratona olímpica em 1906. Já o design foi proposto por George Hatzopoulos, diretor do Museu Nacional de Arte de Atenas, e membro da direção do Panathinaikos.

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O Olympiacos, por sua vez, foi fundado 17 anos depois, em Pireu, cidade portuária da região metropolitana ateniense. O Porto do Pireu, criado no século V a.C., teve grande importância por séculos, notadamente até o século XIX. O clube é fruto da fusão do APS Pireu com o OF Pireu e, desde o princípio, estabeleceu laços profundos com a classe trabalhadora. O próprio nome original evidencia isso: Olympiacos Club of Fans of Piraeus.
Além disso, a exemplo do rival, mantém relação estreita com a tradição dos Jogos Olímpicos, já que seu escudo exibe um jovem laureado.
Embora entre os fundadores se destacassem empresários, militares, comerciantes e profissionais liberais, o clube se popularizou rapidamente entre o povo. Desde o princípio, criou-se um forte antagonismo com os clubes atenienses. Os torcedores do Olympiacos costumavam ir a pé até a capital antes dos jogos contra Panathinaikos, Ethnikos, Apollon e AEK. Nos dias de vitória, comemoravam por toda a extensão da rua Pireu, que liga as duas cidades e tem mais de oito quilômetros.
A melhor distinção técnica entre as equipes, e até mesmo a inclinação política (com o AEK sendo posicionado mais à esquerda entre os atenienses) logo evidenciou que, apesar da existência de outros clubes, Panathinaikos e Olympiacos estavam destinados a ser os maiores rivais da nação. O primeiro choque aconteceu em 1930 e foi também o de placar mais largo: o Panathinaikos venceu por 8 a 2. No mesmo ano, o Trevo venceu o primeiro campeonato grego.

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“A rivalidade é entre dois mundos diferentes: nós e eles”, comentou Marios, torcedor do Panathinaikos, ao The Athletic.
Até maio de 2026, foram 231 jogos, com 92 vitórias do Olympiacos, 58 vitórias do Panathinaikos e 81 empates. Os maiores goleadores do clássico são Giorgos Sideris (1959-70 e 71-72), que marcou 13 gols pelos alvirrubros, e Dimitris Saravakos (1984-94 e 96-97), com 16 gols pelos alviverdes.
Nos títulos, os homens de Pireu também levam vantagem: 48 campeonatos gregos, 29 copas da Grécia e cinco supercopas. Venceram, ainda, a Conference League em 2023-24, superando a Fiorentina. Os atenienses venceram 20 vezes o nacional, 20 a copa e três a supercopa. Além disso, alcançaram a final da Liga dos Campeões em 1970-71, perdendo para o Ajax.
A disputa não para no futebol
No panorama grego, os rivais são bem-sucedidos em outros esportes, além do futebol. Os principais são vôlei, basquete e polo aquático, disputas em que o contexto de agressividade e violência, típico do hooliganismo do futebol, também se manifesta. De um lado, está o Gate 7, representando o Olympiacos; do outro, o Gate 13, do Panathinaikos.
Em 2007, um torcedor de 22 anos do Panathinaikos foi morto em uma briga que antecedeu um clássico nas quadras de vôlei. Seis anos mais tarde, na final da Copa Grega de Basquete, torcedores invadiram as tribunas e destruíram assentos. Foi necessária intervenção policial e o uso de granadas de efeito moral. Não houve mortes. No futebol, semelhantes ocorrências são ainda mais comuns. Em 2012, por exemplo, uma partida chegou a ser suspensa devido ao confronto entre torcedores e a polícia.

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Nos bastidores, a disputa também é frequentemente alimentada. Proprietário do Olympiacos, Evangelos Marinakis chegou a ser afastado de suas atividades em 2015, sob alegações de manipulação de resultados. Em 2021, foi absolvido. Corrupção é um problema frequente no país que, em 2015, viu mais de 70 profissionais, entre atletas, árbitros e executivos, serem processados.
Todo esse contexto de disputa sociopolítica e violência não impediu que, até 2026, 37 atletas tivessem ambos os clubes no currículo. Um dos destaques é Antonios Nikopolidis, o homem de cabelos grisalhos que defendeu o gol da Grécia na conquista da Euro 2004 — circunstância em que 10 atletas do elenco atuavam pelos rivais. Outro nome relevante nessa estatística é o do meia argentino Sebastián Leto.

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Os clubes também levam em suas histórias a presença de jogadores brasileiros de destaque internacional. Pelo Olympiacos, destacam-se Giovanni, Rivaldo e Marcelo. Pelo Panathinaikos, Gilberto Silva, integrante de uma lista dos 10 maiores jogadores de todos os tempos, e Bernard.
A rivalidade, um século após seu início, contempla integrantes de todas as classes sociais gregas nos dois lados. Porém, inegavelmente, a origem do ódio mútuo passa por esse fator. Está arraigado e não há mais como voltar atrás. O rótulo de Inimigos Eternos não é gratuito.
* Texto editado e atualizado em 06 de outubro de 2026
