Com Marcelino Toral, Valencia busca se reencontrar

A DECEPÇÃO foi a última marca registrada nos rostos dos torcedores do Valencia em 2016-17. Houve investimentos e os resultados não vieram. A 12ª colocação em La Liga foi um alento para quem lutou contra o descenso. Apesar do quinto elenco mais caro do futebol espanhol, o clube foi tomado pela desorganização, com três trocas de comando no curso da campanha. Parece ter aprendido a lição: contratou com antecedência um novo técnico, que traz respeitável histórico recente: Marcelino Toral.

Marcelino Toral Valencia

Foto: AFP

Histórico no Villarreal

Mentor de um Villarreal que renasceu após anos dolorosos, chegando a ser rebaixado, Marcelino vem em alta. Com o comandante, o clube voltou a lutar por posições mais altas na tabela de La Liga. O asturiano estava desempregado desde agosto de 2016 e não por conta de problemas de desempenho do Submarino Amarelo. Foram as divergências com a diretoria do clube o pivô de sua saída.

Seu substituto, Fran Escribá, continuou o trabalho e conduziu o time à quinta colocação do campeonato espanhol, com a segunda melhor defesa — mais vazada apenas que a do Atlético de Madrid, de Diego Simeone. Essa característica já fora notada em anos anteriores. Em 2015-16, o Villarreal teve o quarto melhor registro defensivo da Espanha, a exemplo do ocorrido em 2014-15, sob a tutela de Marcelino. Defesa, aliás, é a maior preocupação dos Che.

O novo comandante terá que fundar organização em meio ao caos. O Valencia teve a sexta defesa mais vazada de 2016-17. Foram 65 tentos sofridos. Pako Ayestarán, Voro e Cesare Prandelli, os antecessores, não conseguiram encontrar soluções no elenco.

Voro Valencia

Foto: EFE

Em tese, o grupo possui jogadores de qualidade técnica superior à encontrada no Villarreal. No entanto, sem um bom comando se tornou apenas um desfile de nomes. O jogo coletivo, a coesão, não existiram na temporada última e, em ato contínuo, as individualidades sucumbiram. Os talentos promissores não desabrocharam e o time jogou apenas para não ser rebaixado.

As missões são claras

Marcelino Toral encontra, portanto, uma equipe que possui bons valores, rica história e torcida exigente, mas vive em desordem. Será seu mais duro trabalho. Entretanto, também se confirma a chance de afirmar sua qualidade em patamar mais elevado.

O comandante precisará de tranquilidade para estruturar seu time. Aparentemente, terá. A contratação ainda no início de maio, antes do fim da temporada, e os dois anos de contrato testemunham nesse sentido. A diretoria sabe: não pode repetir o cenário da última temporada.

Marcelino Toral Villarreal

Foto: EFE

O técnico pediu a contratação de dois zagueiros e de um volante; partes da reformulação que comanda, na construção de novo modelo de jogo.

“Se queremos construir um Valencia vencedor e que esteja na parte de cima da tabela, não podemos sofrer 65 gols. É impossível com esses números. A única solução seria contratar Messi ou Cristiano para que façamos 120 gols. Como essa situação é inviável, o que temos que fazer é construir uma equipe em que a organização e o trabalho coletivo, não somente dos defensores e do goleiro, nos levem a ser um time equilibrado e competitivo”, falou ao periódico Superdeporte.

Por essa mentalidade, a chegada do comandante ao Mestalla é vista como positiva. Com ele, a expressão técnica de determinados jogadores pode ser suprimida, mas não sem motivo. O clube não precisa dar espetáculo, antes clama por estabilidade.

O Valencia buscou um treinador com o perfil que precisa: alguém para pegar os tijolos que estão espalhados no pátio e construir uma fundação. Um passo de cada vez. Foi assim que trabalhou no Villarreal, tirando-o da segunda divisão e levando-o, novamente, a frequentar a parte de cima da tabela de La Liga. Essa é a esperança dos Che.

Wladimir Dias

Idealizador d'O Futebólogo. Advogado, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Escrita Criativa. Mestre em Ciências da Comunicação. Colaborou com Doentes por Futebol, Chelsea Brasil, Bundesliga Brasil, ESPN FC, These Football Times, revistas Corner e Placar. Fundou a Revista Relvado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *