No Watford, Will Hughes finalmente chega à Premier League
NO FUTEBOL DE BASE, Will Hughes é famoso representando a Inglaterra. Meio-campista de movimentos inteligentes e qualidade para o passe — tanto curto quanto longo —, foi formado nas categorias de base do Derby County, que apostou em seu futebol ainda muito cedo. Há muito se aguardava sua chegada à Premier League. Enfim aconteceu e, a partir de 2017-18, o jogador de 22 anos defende as cores do Watford.

Foto: Derby County
A notícia foi recebida com surpresa. Durante muito tempo, esperava-se que, quando deixasse os Rams, Hughes firmasse por algum dos clubes de maior sucesso no país. O Watford chega à sua terceira campanha seguida na elite, mas historicamente tem passagens muito longas pela segundona. Jogadores de Football Manager também devem ter estranhado o movimento.
Derby County bate na trave
A despeito da juventude, o inglês representou o Derby County por seis temporadas. A estreia ocorreu em novembro de 2011, aos 16 anos. Durante a primeira campanha, só atuou em mais duas ocasiões. Mal sabia que cinco anos de titularidade absoluta viriam. Logo na temporada seguinte, garantiu cadeira cativa no time, muitas vezes pelo centro do campo e, às vezes, pelo lado esquerdo.
Seu período no clube foi, no entanto, sofrido. Em 2013-14, flertou com o acesso à Premier League. Terminou a Championship em terceiro lugar, mas, nos playoffs, sucumbiu diante do Queens Park Rangers. Naquele ano, o time teve o melhor ataque do certame.

Foto: Derby County
Em 2014-15, o Derby ficou em oitavo lugar, apenas um ponto atrás do Ipswich Town, classificado para os playoffs. No ano seguinte, marcado por uma grave lesão de Hughes no joelho, o time terminou na quinta posição e voltou a disputar duras partidas decisivas: deu Hull City.
Já em 2016-17, o cenário foi pior: acabou na nona posição, 13 pontos atrás do Top 6. Não é fácil bater na trave tantas vezes. A necessidade de estar na primeira divisão, naturalmente, falou mais alto do que o desejo de seguir no clube de formação. Isso poderia ter acontecido muito antes.
Em 2014, Hughes esteve nas listas de Manchester United e Liverpool. Conforme reportou o Express em julho de 2014, os Reds teriam preferência em eventual negociação. Apesar disso, o garoto renovou seu contrato com o Derby County. Inicialmente, vigoraria até o término da temporada 2017-18, mas o vínculo voltou a ser prolongado no início de 2017.
A hora do salto
Durante todo esse tempo, foi presença constante nas equipes de base da Inglaterra. Foram seis partidas e um gol pelo sub-17 e mais 21 jogos e dois tentos pelo sub-21. O meio-campista chegou a tal estágio com apenas 17 anos, sendo o segundo mais jovem a fazê-lo, atrás de Theo Walcott. Só deixou de ser chamado quando lesionado. Fora das eliminatórias para a Euro 2017 da categoria, Hughes foi chamado para a fase final do torneio.
Por que o meio-campista não optou por uma transferência anteriormente e qual a razão da escolha pelo Watford? Só se pode especular. Hughes sempre demonstrou compromisso com os Rams. É possível que tenha permanecido por tanto tempo para 1) ter mais tempo de jogo e amadurecer enquanto atleta; e 2) para ajudar a equipe a subir de divisão.
O Watford parece ter aparecido na hora certa. Hughes vestiu a camisa do Derby em 189 ocasiões e não conseguiu levar o clube à elite. A subida de nível não poderia ser postergada indefinidamente.
Embora não se trate de um time que luta por títulos, o Watford oferece titularidade na Premier League. No estágio em que sua carreira se encontra, isso é fundamental. Desenvolvendo seu futebol, é natural que volte a ser considerado pelos gigantes do país. Hugues terá que se provar.

Foto: Reprodução
“Todo jogador inglês quer jogar a Premier League. Tendo atuado na Championship por tanto tempo, eu tentei muito conseguir a promoção, mas a chance de vir a Premier League era muito boa para recusar. Estou muito empolgado, é um novo capítulo em minha vida”, disse o atleta ao site oficial do Watford.
Além disso, existe a expectativa de trabalhar com o português Marco Silva. Embora não tenha evitado o rebaixamento do Hull City na temporada 2016-17, foi muito elogiado pela crítica. O comandante é conhecido pelo bom trabalho que desempenha na evolução de jovens — foi o responsável por conceder oportunidades concretas ao português João Mário, no Sporting, por exemplo. Além disso, o estilo de jogo propositivo se coaduna com os predicados oferecidos por Hughes.

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Sob o comando do jovem treinador lusitano, os Tigers adotaram o esquema tático 4-2-3-1, que na fase defensiva podia também ser lido como 4-1-4-1. A se manter tal filosofia, Hughes pode ser acomodado tanto como segundo homem de meio-campo, qualificando a saída de bola da equipe, quanto mais avançado, mais livre mas menos influente na construção de jogadas.
Will dá um salto de qualidade em sua carreira. O simples fato de atuar na Premier League é um desafio. A intensidade da competição colocará o jogo de gestão da bola e troca de passes do garoto à prova. Atuando em uma equipe que frequenta habitualmente as zonas intermediária e baixa da tabela de classificação, terá que mostrar consistência para provar que seu potencial é verdadeiro.
