2017-18: uma temporada para Emre Can se afirmar

DESDE QUE DESPONTOU para o futebol, o polivalente meio-campista alemão Emre Can é vinculado a um futuro brilhante. No entanto, parecia um diamante bruto a ser lapidado criteriosamente para desenvolver seu potencial. Imponente em termos de presença física, incansável e com compreensão tática acima da média, inicia a temporada 2017-18 da melhor forma possível, com gols e belas atuações. O melhor é que não são os tentos que mais chamam a atenção, mas a influência exercida durante as partidas.

Emre Can Liverpool

Foto: Jan Kruger/Bongarts/Getty Images

Como marca que o acompanha ao longo da carreira, o treinador Jürgen Klopp monta times capazes de causar danos aos adversários por meio de forte pressão na recuperação da bola e velozes transições; é o conhecido gegenpressing.

A alternativa, por vezes, sacrifica o talento puro, e Philippe Coutinho parece cada vez mais distante do Liverpool. Porém, a adição de Mohamed Salah e a recuperação de Sadio Mané entregam ao treinador tudo o que precisa para pegar os rivais com as calças curtas. Ainda assim, a bola só chega aos ponteiros, dando-lhes condições de aniquilar o oponente, quando o trabalho do meio-campo é bem executado e é neste sentido que Can tem sido fundamental, mostrando em seu jogo a maturidade que tanto lhe é cobrada.

Can: equilíbrio entre força e técnica

Tendo em Jordan Henderson o eixo do meio, com o holandês Georginio Wijnaldum posicionado mais à esquerda, Can vem se encontrando à direita. É o primeiro ano em que o cenário lhe permite isso.

Em 2014-15, sofreu lesão no início da temporada, o que dificultou sua adaptação e transformou-o em opção para a zaga. No ano seguinte, voltou ao meio, mas novos problemas físicos ao final da temporada impediram sua continuidade em 2016-17. Também por isso, 2017-18 se inicia tão prometedor para o jovem.

Aos 23 anos, parece ter encontrado o balanço entre força e técnica. Nos dois primeiros compromissos da Premier League, concluiu 2,5 desarmes e 1,5 interceptações, em média por jogo. Acertou também 84,4% de seus passes, algo que sempre lhe foi muito cobrado. Ainda, ofertou 3,5 bolas longas, toques de maior complexidade e que demandam refino técnico. Manteve, pois, sua aptidão para o jogo duro na recuperação da bola e melhorou a capacidade de circular a bola.

Emre Can Klopp Liverpool

Foto: Reprodução

Com justos motivos, tem sido comparado a um de seus compatriotas, Sami Khedira. Embora o campeão mundial não viva seu melhor momento, foram sua agressividade e qualidade técnica que lhe possibilitaram a carreira que tem.

“Emre está em um bom caminho. Ele realmente melhorou em muitas partes e é um jogador importante para nós. Ele pode jogar em diferentes posições”, disse Klopp em meados de agosto.

Aproveitar as chances

Pairam dúvidas sobre qual caminho o treinador Jürgen Klopp escolherá quando tiver Adam Lallana, lesionado, novamente à disposição. Com características distintas das que definem Emre Can, o inglês viveu ótimos momentos na última temporada, é mais experiente e também conta com a confiança do técnico alemão.

Em princípio, a situação não tende a interferir na continuidade de Can; Lallana atua em outras faixas do campo e será imprescindível rodar o elenco no curso da campanha, sobretudo porque o clube volta a disputar a Liga dos Campeões.

Emre Can scores Liverpool

Foto: Dave Thompson/Ap

Na seleção alemã o jogador também vive momento importante. Habitualmente improvisado pelas laterais, foi chamado pelo treinador Joachim Löw para integrar a equipe alternativa que disputou, e venceu, a Copa das Confederações de 2017 e atuou em todas as partidas, sempre como meio-campista.

Com a concorrência de Sebastian Rudy e Leon Goretzka, Can conseguiu a titularidade nos jogos contra Chile e Camarões, ainda na fase de grupos. Entretanto, mostrou seu valor e voltou a ser chamado na primeira convocação posterior à competição. Nas partidas contra República Tcheca e Noruega, válidas pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, disputa posição com Goretzka, Khedira, Toni Kroos e Rudy.

Aos 23 anos, Can teve a saída do Liverpool especulada, mas permaneceu em Anfield Road por mais uma temporada. Com a titularidade justificando-se, começa a provar que a aposta feita pelos Reds em 2014 foi acertada — e que errou o Bayern de Munique, em que foi formado, ao permitir sua precoce saída para o Bayer Leverkusen, sua última equipe na Alemanha. As chances dadas vêm sendo aproveitadas.

Wladimir Dias

Idealizador d'O Futebólogo. Advogado, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Escrita Criativa. Mestre em Ciências da Comunicação. Colaborou com Doentes por Futebol, Chelsea Brasil, Bundesliga Brasil, ESPN FC, These Football Times, revistas Corner e Placar. Fundou a Revista Relvado.

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