Wesley Sneijder desembarca no Nice para ser a cereja do bolo
HÁ DUAS TEMPORADAS, o Nice surpreende na Ligue 1. Primeiro sob o comando de Claude Puel e, desde 2016-17, do suíço Lucien Favre, Les Aiglons têm terminado a competição em posições privilegiadas. A equipe apostou na recuperação de jogadores controversos, porém experientes e com talento indiscutível: Hatem Ben Arfa e Mario Balotelli. O italiano segue por lá e voltará a ter a companhia de uma grande estrela; dessa vez, trata-se de alguém que não precisará ser recuperado: aos 33 anos, Wesley Sneijder chega ao clube buscando novos desafios.

Foto: Reuters/Jean-Pierre Amet
Para muitos o melhor jogador do mundo em 2010, ano em que conquistou a Liga dos Campeões pela Internazionale e conduziu a Holanda ao vice-campeonato Mundial, Sneijder desembarca na França após quatro anos e meio de idolatria e títulos com a camisa do Galatasaray. Em 175 partidas, anotou 46 tentos e proveu 44 assistências, marcou golaços e decidiu clássicos; foi brilhante. Chega ao Nice ainda com status de craque, longe de ser um ex-jogador em atividade.
O contexto é positivo. A terceira colocação na última Ligue 1, após a troca de um comando que vinha de quatro anos de evolução, revelou organização da direção do Nice, que teve muitos destaques individuais — inclusive Balotelli. Sneijder, que recebeu a camisa 10, chega para substituir seu substituto no Galatasaray. Isso mesmo: o empréstimo do marroquino Younès Belhanda junto ao Dynamo de Kiev venceu e o atleta foi vendido ao clube istambulita. Em 2016-17 foi o principal meia ofensivo do time da Costa Azul, autor de três gols e seis assistências, em 31 jogos de Ligue 1.
Se Belhanda saiu, os outros meio-campistas do time permanecem, ainda que a janela de transferências só se encerre ao final de agosto. Sneijder encontra terreno fértil para se acomodar na equipe.

Foto: Reprodução
Em boa companhia
Os voluntariosos Wylan Cyprien e Jean Michaël Seri, esteios na meia cancha, seguem no Allianz Riviera, reformulado para receber a disputa da última edição da Euro. Em 2016-17, o primeiro anotou nove gols e o segundo sete, o que ajuda a entender que tipo de jogador representam — são volantes de boa saída para o ataque, com passe qualificado e que se infiltram com facilidade nas defesas adversárias.
Quem também permanece no clube é o jovem francês Vincent Koziello, que acumula aparições por seleções de base. Aos 20 anos, assumiu a tarefa de substituir Cyprien durante um afastamento por lesão e terminou a temporada como titular. Do meio-campo adiante, o Nice confirma um perfil técnico, o que pode ter pesado para que Sneijder decidisse se mudar para a Riviera Francesa. Ele chega com liberdade para criar e companheiros de qualidade com quem dialogar.
Mais à frente, também foram mantidos jogadores importantes, casos do meia Valentin Eysseric e do atacante Alassane Plèa, atletas versáteis e criativos, capazes de dividir com o holandês as responsabilidades no setor de criação. O craque não está acabado: em 2016-17 foi o líder de assistências da Liga Turca, com 15 passes para gols em 28 partidas. Foi também o atleta que, em média, mais passes-chave ofertou por partida: 2,7.
Sneijder chega para dar o toque final a um time já estruturado, vem para ser seu líder técnico.
Elenco se fortalece com experiência e juventude
O torcedor do Nice viu o zagueiro Paul Baysse partir para o Málaga, o lateral direito português Ricardo Pereira retornar ao Porto ao final de seu empréstimo, e o lateral esquerdo Dalbert ser negociado com a Internazionale. Apesar disso, além de Sneijder, outros atletas chegaram. Do Lyon, veio o experiente ala Cristophe Jallet, para cobrir a lacuna aberta pelos flancos. Além dele, foi contratado o ponta Allan Saint-Maximin.
Aos 20 anos, o atleta da seleção francesa sub-20 foi contratado junto ao Monaco. Em 2016-17, o atleta formado no Saint-Étienne, havia sido emprestado para o Bastia, para ter mais minutos em campo. Contratado por 5 milhões de euros pelos monegascos em 2015, valorizou-se e convenceu o Nice a pagar o dobro, 10 milhões de euros. Les Aiglons apostam pesado no atleta, que encantou pela velocidade, destreza na condução de bola e habilidade para se livrar de seus marcadores em situações de um contra um.

Foto: AFP/Pascal Pochard-Casabianca
O caminho traçado pelo Nice se mostra sólido. Há equilíbrio entre experiência, com Sneijder, Dante e Balotelli, todos vencedores da Liga dos Campeões, e jovens em desenvolvimento e com teto alto. Lucien Favre foi bem no Borussia Mönchengladbach, seu último clube antes de chegar à França, e o bom trabalho vai se repetindo.
Enquanto Neymar no Paris Saint-Germain é a grande notícia da Ligue 1, a expectativa é que os capitalinos levem o título nacional outra vez. Ainda assim, em um momento de transição de equipes como Monaco, Olympique de Marseille, Lille e Lyon, é possível vislumbrar o Nice brigando na parte de cima da tabela, repetindo o desempenho dos últimos anos. A chegada de Sneijder confirma o prognóstico.

