Em 2017-18, a promessa de uma Juventus diferente
IMPIEDOSA na Itália e competitiva no nível continental, a Juventus vive um momento positivo em sua trajetória. Hexacampeã nacional e atual vice da Liga dos Campeões, reconduziu-se ao grupo das melhores equipes do planeta. Definida pela imponência de seu setor defensivo, vive um momento de indefinição às vésperas do início da temporada 2017-18. Por um lado, reforçou seu ataque; por outro, perdeu referências da retaguarda.

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A equipe que terminou a campanha de 2016-17 tinha contornos claros. A defesa tinha Gianluigi Buffon no gol e Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci, Giorgio Chiellini e Alex Sandro em uma primeira linha de quatro jogadores; o meio-campo apostava em Miralem Pjanic e Sami Khedira, ou Claudio Marchisio, habitualmente auxiliados pelos ponteiros Dani Alves e Mario Mandzukic. O quarteto dava suporte à dupla de ataque argentina, formada por Paulo Dybala e Gonzalo Higuaín. Era um time para se escalar de memória.
Duas engrenagens importantes deixaram Turim: Dani e Bonucci — o primeiro decisivo na reta final da temporada bianconera, o segundo um dos melhores defensores em atividade no mundo. São baixas cuja reposição não é simples.
Ainda que atuasse muitas vezes na faixa direita do meio-campo, o brasileiro era um lateral e, portanto, cumpria papel defensivo com maior competência do que o outro jogador utilizado na função, e mais acostumado a ela, Juan Cuadrado. Dani Alves nunca foi um ponta puro. Além disso, no caso do beque italiano, embora a função seja clara dentro do sistema, não há jogadores de sua estirpe disponíveis no mercado.
O mercado aponta o caminho
Diante desse cenário, o mercado da Juve projeta mudanças na forma de o time jogar. Dois pontas agressivos chegaram: Douglas Costa e Federico Bernardeschi, que não vêm para a reserva. O brasileiro optou por deixar o Bayern de Munique justamente por esse motivo, enquanto o italiano se consolidou como o melhor jogador da Fiorentina e tem tido espaço na seleção nacional.

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A chegada de tais peças deve provocar mudanças sensíveis. Centroavante de ofício, o croata Mario Mandzukic foi adaptado à ponta esquerda em 2016-17 e apresentou desempenho formidável. Ganhou destaque não só por suas capacidades ofensivas, mas também pela forma como assimilou as tarefas de marcação pelo flanco, tanto na pressão sem bola quanto nos duelos aéreos e na recomposição defensiva. Douglas Costa e Bernardeschi não demonstravam tais capacidades em seus clubes anteriores.
Sem Dani e com a tendência de que Mandzukic volte a ser utilizado como atacante centralizado, o equilíbrio entre defesa e ataque, pilar da equipe nos últimos anos, passará por ajustes. A influência defensiva dos pontas e de Paulo Dybala, principal estrela ofensiva do time, tende a ser pauta importante.
Com a chegada do lateral Mattia De Sciglio, evidencia-se a preocupação do treinador Massimiliano Allegri com o equilíbrio. A Juventus buscou um perfil de características antagônicas às de Daniel Alves. O italiano se destaca muito mais como defensor, em linhas conservadoras de quatro defensores.

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A Juve 2017-18 promete mais força ofensiva pelos flancos, Dybala ganha novos e talentosos interlocutores e Higuaín novos criadores de oportunidades. Entrosado, o ataque bianconero pode fazer grandes estragos. No entanto, existe um peso no setor defensivo ainda difícil de ser mensurado.
Equilíbrio defensivo em risco?
Não se sabe como Allegri adaptará suas novas peças. Quando chegou, Pjanic era tido como um meia armador clássico, que dificilmente se amoldaria a um estilo de marcação pressão, atuando mais recuado. O treinador extraiu o melhor do bósnio, surpreendendo a todos ao formar um doble-pivote, com Khedira. É um exemplo das soluções que o italiano conseguiu nos últimos tempos.
Ao fim e ao cabo, tudo passa pela capacidade de aplicação de um conceito fundamental e que tem sido a grande marca dos anos vitoriosos da Vecchia Signora: recomposição defensiva compacta, com linhas de marcação próximas e encerramento de espaços, a semelhança do park the bus, popularizado por José Mourinho. No último ano, a equipe executou tal proposta sem abrir mão da presença de jogadores de bom trato da bola. O desafio agora é maior.
Às vésperas do início da temporada, os argumentos levantados não passam de conjecturas. Todavia, são baseados em fatos e permitem reflexões: Allegri tem se mostrado, temporada após temporada, mais competente e criativo, não sendo recomendável duvidar de suas capacidades para inspirar consciência coletiva no talentoso time que vai se formando no Juventus Stadium.

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O saldo
Além dos jogadores mencionados, outra incorporação importante feita pela equipe foi a do jovem volante uruguaio Rodrigo Bentancur, que tende a conquistar espaço gradualmente. Trata-se de um meio-campista com qualidade nos desarmes, mas que também faz a saída de bola com qualidade, sendo útil na transição da bola entre os blocos defensivo e ofensivo.
Outra chegada destacada foi o goleiro polonês Wojciech Szczesny, que vem para iniciar a transição no gol alvinegro, diante da expectativa de que Buffon se despeça da equipe ao final da temporada.
Ainda é especulada a contratação de um zagueiro, o nome do noticiário é o do grego Kostas Manolas. Bonucci fará falta. Contudo, além da manutenção de Medhi Benatia, Chiellini e Barzagli, a Juventus espera que o jovem Daniele Rugani receba minutos e já tem em seu horizonte o retorno de Mattia Caldara, que, ao menos em 2017-18, seguirá se desenvolvendo com a camisa da Atalanta, emprestado.
Há motivos para crer que a Vecchia Signora se remodelará plenamente, alcançando novo equilíbrio sem Dani e Bonucci. Porém, um período de adaptação tende a ser inevitável, repetindo o ocorrido em 2015-16, quando as baixas foram Arturo Vidal, Andrea Pirlo e Carlos Tévez.

