O Futebólogo recomenda: Quando o futebol não é apenas um jogo
A PRÁTICA DO FUTEBOL ignora fronteiras geográficas. Bastam um objeto esférico e um espaço aberto. A partir disso, desenvolve-se em estilos, nuances e gestos. O esporte é um; as práticas, infinitas. Os que têm sensibilidade para enxergar e valorizar peculiaridades ganham. E ganhamos todos quando tais indivíduos contam o que viveram, ouviram e conheceram. Afinal, tudo é história.

Quem está familiarizado com o trabalho do jornalista Gustavo Hofman, especialmente notável pelas passagens por Trivela e ESPN, sabe que se trata de um fascinado pelas entrelinhas do jogo. Em Quando o futebol não é apenas um jogo, viajou pelo mundo: de Gales à Eslovênia; da Chechênia à Líbia. No meio do caminho, parou em cidades como Split e Vladivostok.
Sabe o que encontrou em todos esses lugares? Futebol, o mesmo esporte praticado em centros famosos, como Brasil, Argentina, Espanha ou Inglaterra.
Como relata na apresentação do livro: “O futebol […] pode representar uma pátria sem terra; mostrar ao mundo o sofrimento de um povo; explicar com outros olhos uma guerra; traduzir a indignação de uma torcida; exemplificar paixões; traduzir geopolíticas […]”. E por aí vai.
O futebol total não é apenas o estilo de jogo vertiginoso apresentado pela Holanda de Rinus Michels, em 1974 — e que pode ter tido paralelos menos aclamados, a exemplo do estilo desenvolvido pelo ucraniano Valeriy Lobanovskiy. É também a tradução daquilo que vai além do riscado, das grandes competições, das capas de jornais, noites glamurosas do Santiago Bernabéu ou pirotécnicas de um Monumental de Núñez ou da Bombonera.

Foto: Reprodução
Hofman pede atenção já na primeira história, ao escrever Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch. Isso mesmo, sem tirar uma letra. Este é o nome de um time de futebol… de 125 anos.
Editado pela Via Escrita, o livro passou por uma atualização.
Originalmente publicado em 2014, ganhou nova roupa, textos atualizados e alguns adendos. Hofman decidiu que era hora de tratar da guerra entre Rússia e Ucrânia, bem como de explicar a ascensão do Bodø/Glimt na Noruega e de relatar a experiência de Marcos Tavares, o brasileiro que conquistou Maribor.
Outro ponto alto do livro aparece no miolo, uma galeria de fotos que oferece ao leitor melhor compreensão das realidades descritas. É um bônus, não uma alegoria. O registro revela marcas de guerras, a dimensão de estádios e apresenta destinos menos óbvios.
Os textos são curtos, mas ricos em detalhes. É livro para ler em uma sentada e, também, para consultar. A linguagem é acessível e só pede uma coisa: interesse.

