No Swansea City, Renato Sanches terá oportunidade de se recuperar
QUANDO DESPONTOU no Benfica, Renato Sanches causou frenesi. Com porte físico avantajado para alguém de 18 anos, confiança em seu jogo, capacidade atlética e técnica, parecia um atleta raro; um exemplar da estirpe que sai das categorias de base preparado para o alto nível. No entanto, bastaram a mudança para o Bayern de Munique, o desempenho abaixo das expectativas e a constante reserva para colocar seu futuro em xeque. O empréstimo ao Swansea City pode soar como uma derrota, mas é muito mais uma oportunidade.

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Durante a janela de transferências prévia à temporada 2017-18, os Swans sofreram baques importantes. Perderam duas referências, atletas fundamentais para evitar o descenso no ano anterior: Gylfi Sigurdsson e Fernando Llorente rumaram para Everton e Tottenham, respectivamente. Deixaram, contudo, cofres cheios no País de Gales.
O time foi às compras e contratou Sam Clucas, ex-Hull City, o talentoso Roque Mesa, vindo do Las Palmas. Buscou também o retorno do atacante Wilfried Bony. Neste contexto, Sanches chega à Premier League. Embora tenha sido contratado por empréstimo sem opção de compra, o português é tido em alta conta: os galeses pagaram cerca de 8,5 milhões de euros pela cessão de apenas um ano. O desafio no Campeonato Inglês deve ser visto como uma chance de recuperar o tempo perdido na temporada 2016-17 e a confiança.
Depois de iniciar a temporada apostando no clássico sistema tático 4-3-3, o treinador Paul Clement deu indícios de que optará pelo 3-5-2. Isso pouco muda a adaptação de Renato; em ambos os cenários, são escalados três meio-campistas. O maior desafio é se adaptar rapidamente. Mesa, por exemplo, apresenta dificuldades para encaixar seu jogo de passes e conservação da posse de bola em um contexto de maior intensidade do que o espanhol e ainda é reserva.

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Renato Sanches, por características, tende a ter menos problemas, em razão de sua voluntariedade, com movimentação incansável e aptidão para o jogo bruto. Capaz de fazer de tudo no meio, precisa, porém, recuperar a confiança em seu potencial.
Se a ascensão nos Encarnados foi meteórica, seu escanteamento na Baviera também foi. Em sua temporada de estreia, 2015-16, Renato Sanches fez 35 jogos pelo Benfica. Foram 2.697 minutos ao todo (cerca de 77 por jogo). No ano seguinte, já no Bayern, fez 25 aparições, totalizando 905 minutos (36 a cada compromisso). A diferença é autoevidente.
Um contexto diferente, em um clube de modestas pretensões que mostra crença no novo contratado, parece o refúgio ideal para o jovem que tem apenas 20 anos. Saindo-se bem, tem o retorno ao Bayern no seu horizonte, mas, principalmente, recupera espaço no mercado. O diamante bruto do Benfica não desaprendeu a jogar futebol em uma temporada, mas precisa provar. Sentiu a mudança para a Baviera, pode ter sido avaliado com exagero quando despontou, mas não se trata de um jogador ruim ou comum.
No Liberty Stadium, disputa posição com Clucas e Mesa, além de alguns remanescentes da temporada anterior: Leon Britton, Leroy Fer, Tom Carroll e Sung-Yong Ki. Vale recordar que Clement foi auxiliar técnico de Carlo Ancelotti por seis meses no Bayern de Munique, conhece Sanches e sabe tanto o que esperar dele quanto o que precisa fazer para ajudá-lo a desenvolver seu potencial.

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“Tendo se mudado do Benfica para o Bayern de Munique, ele não jogou tanto quanto gostaria. Mas sua mudança para o Swansea e a Premier League lhe dará uma experiência positiva de desenvolvimento […] Como jogador, ele é dinâmico, um meio-campista central poderoso que acredito tem todos os atributos para se encaixar à Premier League”, disse o treinador ao site oficial do Swansea City.
O Golden Boy de 2016, provavelmente, segue vivo. Embora não tenha ido bem no futebol alemão, ainda não pode ser visto como desperdício ou mero erro de avaliação. Precisa de tempo e continuidade. O movimento para um clube modesto como o Swansea City, em uma liga prestigiada como a Premier League, é uma ótima oportunidade de o português relançar sua carreira.


O historico recente do Swansea com jogadores apagados é extraordinário, jogadores como Sigurdsson, Michu, Jonjo Shelvey, Wilfred Bony ( q retornou depois de péssima passagem pelo Chelsea), enfim todos esses jogadores jogaram muito no Swansea, e na minha opinião a melhor escolha pro Renato Sanches