John Stones, o futuro da defesa inglesa
UM DOS SETORES MAIS FORTES e bem compostos da Seleção Inglesa tem sido, indiscutivelmente, a zaga. Embora não tenham conseguido nenhum êxito relevante, os Three Lions contaram com várias estrelas nos últimos 15 anos e o miolo de zaga foi um dos departamentos com maior número de destaques. No passado recente, contaram com figuras da qualidade de John Terry, Rio Ferdinand, Sol Campbell, Jamie Carragher e Ledley King, de forma que ver os ingleses alinharem Gary Cahill, Phil Jagielka, Chris Smalling e Phil Jones na Copa de 2014 assusta. Não obstante, vem do Everton a grande esperança de dias melhores para a defesa inglesa: John Stones.

Foto: Action Images / Alex Morton
O precoce início
Tudo começou no dia 28 de maio de 1994, às vésperas de uma Copa do Mundo desinteressante para o público britânico, que pela primeira vez, desde 1938, não contou com nenhum representante no torneio. Na referida data, em Barnsley, nasceu John Stones, à época só mais um dentre tantos cidadãos ingleses com um longo futuro e expectativas absolutamente imprevisíveis pela frente.
Dezessete anos depois, veio o momento em que o britânico começou a ganhar notoriedade e deixar de ser “só mais um”. No dia 17 de março de 2012, Stones deu seus primeiros passos em uma cancha como profissional. Pouco antes, em dezembro de 2011, o defensor havia assinado seu primeiro contrato profissional de futebol, que lhe garantiu um lugar no time de sua cidade. Curiosamente, o beque contrariou o famoso ditado que diz que “a primeira impressão é a que fica”. O placar negativo de 4 a 0, contra o Reading, em sua própria casa, não marcou a carreira no atleta.
Na temporada 2011-12, além de sua fracassada estreia, Stones só voltou a entrar em campo na última rodada da Championship, no empate sem gols contra o Brighton. Vale o adendo de que, em seu início, mesmo com seu respeitável 1,88m, o jogador era visto como um lateral direito e não como um zagueiro.
Na sequência, veio a temporada 2012-13 e, com ela, novidades na vida do inglês. Na primeira metade da temporada, disputou 26 partidas pelo Barnsley na Championship, conhecendo no primeiro jogo do torneio sua primeira vitória. Pouco depois, contra o modesto Rochdale AFC, em encontro válido pela League Cup, marcou seu primeiro gol. Aos 18 anos, Stones se afirmou como titular e peça importante de seu time.
Com isso, no apagar das luzes da janela de transferências do inverno europeu, no famigerado Deadline Day, Stones assinou um vínculo de cinco anos e meio com o Everton, por aproximadamente £3 Milhões.

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A mudança para o Everton e a ascensão
“Estou muito empolgado por chegar aqui. Agora o trabalho duro começa”. Com essas palavras, John Stones começou uma nova e importante etapa em sua carreira. No entanto, nos primeiros meses em Goodison Park, o jogador teve que se acostumar com uma velha realidade, atuando apenas pela equipe Sub-21 do Everton.
Naquele momento, o atleta também já havia representado a seleção inglesa sub-19 e, pouco depois, ganharia oportunidades nos times sub-20 e sub-21.
Iniciada a temporada 2013-2014, os rumos da carreira de Stones voltaram a mudar e, dessa vez, para melhor. Sob o comando do recém-chegado Roberto Martínez, o jovem recebeu sua primeira oportunidade no time principal do Everton em partida válida pela League Cup, contra o Stevenage FC. Dias depois, fez sua estreia na Premier League, na vitória contra o Chelsea, por 1 a 0.
Com um elenco enxuto, o Everton foi forçado a lançar Stones no time a partir da segunda metade da Premier League, uma vez que o capitão Phil Jagielka sofreu grave lesão que o afastou dos gramados. Entre a 28ª e a 37ª rodadas, o beque foi titular em sequência. Ao final de 2013-14, já tendo conquistado importante destaque, o defensor contabilizou 26 partidas na temporada e ganhou um prêmio: a lembrança na lista de 30 jogadores da Seleção Inglesa que viria ao Brasil, além da estreia pela equipe, na vitória contra o Peru, às vésperas da Copa.
No final, não integrou a lista de 23 nomes, mas deixou clara a certeza de que seu nome voltaria a ser lembrado.

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De contrato renovado ainda no início de agosto de 2014, estendendo seu vínculo até 2019, Stones cimentou seu lugar na equipe titular do Everton na temporada 2014-15. Relegando o experiente Sylvain Distin ao banco de reservas, o jovem disputou 28 partidas e marcou seu primeiro gol pelos Toffees, na vitória de sua equipe contra o Manchester United, na 34ª rodada da Premier League. Sua performance só não teve mais capítulos em função de uma lesão no tornozelo, sofrida ainda no início da temporada.
Na Premier League 2014-2015 o destaque de John foi tão grande que ficou evidenciado por suas estatísticas. O zagueiro do Everton conseguiu um aproveitamento de 68% de seus desarmes, 81% de recuperações de bola e 63% de ganho das bolas aéreas que disputou, isso tudo tendo recebido apenas um cartão amarelo e cometido apenas seis faltas (isso mesmo!).
Após o fracasso inglês na Copa do Mundo do Brasil, Stones ganhou mais duas oportunidades com a camisa dos Three Lions, nas vitórias contra a Noruega, em amistoso, e a Suíça, em partida válida pelas eliminatórias da Euro. Seu espaço no time de Roy Hodgson só não foi maior em função da referida lesão e em decorrência de o jovem ter representado a seleção sub-21 no período.
Os horizontes do futuro do beque
Com o sucesso e a juventude, o zagueiro passou a ser alvo de interesse de grandes clubes ingleses. Segundo a imprensa inglesa, Chelsea e Manchester United travam duelo pela contratação de Stones, mas quem de fato tem ido à carga para assegurar os serviços do jovem é o clube londrino. José Mourinho tem se mostrado impressionado com o futebol do beque do Everton e o enxerga como um substituto natural para John Terry, por suas características e por ser inglês.
No entanto, duas propostas, uma de £20 Milhões e outra de £26, já teriam sido recusadas por Roberto Martínez, que chegou a dar declarações públicas, irritado, de que Stones é e permanecerá sendo defensor do Everton.
“É evidente que John (Stones) é um dos jovens talentos que estão evoluindo em nosso plantel e é natural que ele receba interesse de outros clubes. Mas John (Stones) é um jogador de Everton e não há mais nada a comentar sobre isso”, disse Roberto Martínez.

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A despeito disso, pode até ser que uma transferência não ocorra nesta temporada, mas é difícil acreditar que o futuro de Stones não lhe reserve uma mudança para uma equipe de maiores ambições. Se continuar evoluindo – o que parece ser uma tendência –, o Everton não conseguirá manter seu destaque.
Para todos os efeitos, para o torcedor inglês o aparecimento de Stones é uma nota positiva e traz alívio. A linhagem de bons zagueiros do país parece ter nele um novo representante e Roy Hodgson certamente dará, a cada convocação, mais oportunidades ao jovem. Titular absoluto do Everton, o defensor já conquistou um status de peça vital e seus próximos passos certamente atrairão a atenção do mundo.