Davy Pröpper chega ao Brighton para liderar uma dura missão
O FUTEBOL HOLANDÊS atravessa um período de transição, deixando para trás a geração que conduziu a Oranje ao vice-campeonato mundial em 2010 e promovendo o ingresso de caras novas. Nesse contexto, o meio-campista Davy Pröpper vem ganhando espaço desde 2015. Para continuar o que tem sido uma carreira de qualidade, aceitou o desafio de ser a principal referência técnica de uma equipe de modestas pretensões em um dos contextos mais competitivos do planeta bola. Trocou o PSV Eindhoven pelo Brighton; deixou a Eredivisie pelo desafio da Premier League.

Foto: Brighton & Hove Official
Fora da elite inglesa desde a temporada 1982-83, o Brighton & Hove Albion retorna com uma missão bem clara: garantir a permanência.
Em sua quarta temporada no clube, o treinador Chris Houghton sempre soube que precisaria encorpar seu elenco. Antes de contratar Pröpper, já havia assinado com o goleiro Mathew Ryan, titular da seleção australiana, o experiente lateral esquerdo austríaco, Markus Suttner, ex-Ingolstadt, e o meio-campista alemão Pascal Groß, que tem passagem por equipes de base da seleção alemã e também atuava no Ingolstadt.
“Gostaríamos de começar a temporada e terminar a janela de transferências com um elenco que sintamos ser capaz de fazer o suficiente”, falou o comandante ao Sky Sports.
A despeito disso, a contratação que traz maior impacto é a do meia holandês. Formado no Vitesse, foi referência do time que, treinado por Peter Bosz, alcançou a quinta colocação na Eredivisie em 2014-15 e carimbou sua passagem para Eindhoven, representando o PSV por duas temporadas.

Foto: Reprodução
Pröpper parece chegar ao auge
No último ano, Davy Pröpper marcou seis gols e criou sete assistências, em 34 jogos no Campeonato Holandês. Ele deu sequência ao que havia sido uma temporada ainda melhor em 2015-16 (10G e 6A). Vale lembrar que o atleta carregou o peso de substituir Georginio Wijnaldum, vendido ao Newcastle, e se saiu bem.
Versátil, Pröpper é um jogador completo. Pode ser meia central ou ofensivo, organizando o jogo tanto em posicionamento mais recuado quanto mais próximo do ataque. Além disso, tem algo que pode ser determinante para o Brighton: um potente chute de longa distância, capaz de tirar o time de apuros. O holandês não é o jogador que deixa a cancha com percentuais de aproveitamento de passes de 85%, 90%, mas, inserido em um clube que se preocupará primeiramente em se defender, isso não importa tanto.
“Será muito difícil, mas penso que iremos bem […] Sou um meio-campista box-to-box, que pode atacar e defender e penso que meu passe é bom”, disse o meia ao Sky Sports.
Não se deve perder de vista, ainda, a contribuição defensiva do atleta. No último ano, protagonizou uma média de 1,5 desarmes e 1,4 interceptações por jogo, comprovando o perfil de todocampista.

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Uma referência em potencial
Em decorrência de suas qualidades para organizar o jogo, ditar o ritmo das ações e se oferecer como alternativa a seus companheiros, o meia chega para ser liderança técnica. A experiência internacional é uma aposta pessoal para o futuro. Saindo-se bem, permanece no radar da seleção holandesa e cria a possibilidade de uma transferência para um clube de maiores ambições.
O negócio se apresenta bom para as duas partes: o Brighton recebe um jogador, que, aos 25 anos, busca se estabelecer na mais competitiva liga nacional da Europa; Pröpper ganha a oportunidade de se exibir no mais alto nível. Os valores da negociação não foram exorbitantes — aproximadamente 13 milhões de euros —, tudo dentro da realidade vivida pelos Seagulls.
Depois de superar um período de instabilidade, com muitos acessos e descensos, desde 2011-12 o Brighton conhece uma realidade segura: mais próxima do acesso à Premier League do que de eventual descenso à League One. O time bateu na trave algumas vezes: foi terceiro colocado da Championship em 2015-16, sexto em 2013-14 e quarto em 2012-13. Sabe, portanto, o quão dura será a luta pela permanência na elite.
Para isso, foi ao mercado com cautela e, em princípio, encontrou boas soluções. Pröpper, a contratação mais cara da história do time, apresenta-se como a melhor. Resta saber se será o suficiente.

