Com a mão de Jorge Mendes, Wolves tentam voltar à Premier League

NOS ANOS 2010, o fã do futebol inglês já não reconhece no Wolverhampton Wanderers uma equipe de destaque. No entanto, os Wolves venceram a primeira divisão em três ocasiões, a Copa da Inglaterra em quatro turnos e a Copa da Liga Inglesa duas vezes. O clube das West Midlands chegou até a uma final da Copa da Uefa — foi em 1972, com derrota para um compatriota, o Tottenham. Tudo isso faz tempo; há cinco anos não se vê o famoso uniforme laranja e preto na elite. Porém, com o toque do megaempresário Jorge Mendes, o retorno à Premier League desponta no horizonte.

Wolves

Foto: Reprodução

O português já é o segundo idioma da esquadra inglesa.

Do Porto, chegaram o treinador Nuno Espírito Santo, o volante Rúben Neves, o zagueiro Willy Boly e o atacante Diogo Jota — cujos direitos pertencem ao Atlético de Madrid. No desembarque, encontraram duas crias da base do Benfica, Hélder Costa e Ivan Cavaleiro, egressos do Monaco. Do Rio Ave, veio o beque Roderick Miranda, outro encarnado de formação, e, dos sauditas do Al-Hilal, o brasileiro Léo Bonatini, antes destaque no Estoril.

Nas palavras de Laurie Dalrymple, diretor dos Wolves, Jorge Mendes é apenas um “parceiro conhecido […] alguém de quem, devido à amizade com os donos, ouvimos opiniões e pegamos conselhos”, como reiterou ao Guardian. No entanto, a mesma reportagem indicou que o empresário e o grupo Fosun International, proprietário do clube, têm negócios em comum e que Mendes foi o principal responsável pelo ingresso do referido conglomerado no futebol.

O periódico revelou, ainda, que outra empresa controlada pelo presidente da Fosun comprou ações da Gestifute, de Jorge Mendes. A enorme influência do lusitano no Wolverhampton é autoevidente.Diogo Jota Wolves

A despeito disso, é improvável que os torcedores estejam preocupados com o mistério e a obscuridade da parceria. O time vem jogando o fino, forte candidato ao acesso. Segundo publica o jornal portugês O Jogo, já existe até mesmo um canto de aclamação ao treinador Nuno Espírito Santo, entoado desde as bancadas do Molineux Stadium.

Em 12 jogos, o time soma 26 pontos e lidera a Championship, com oito vitórias, dois empates e duas derrotas.

No topo da artilharia da competição aparece o nome de Diogo Jota. O ponta esquerda formado no Paços de Ferreira já foi às redes sete vezes. Pouco abaixo, Bonatini também se destaca, com cinco tentos e mais quatro assistências. Nesse quesito, o líder da competição é Cavaleiro, com cinco. Os Wolves têm o segundo melhor ataque do certame e a terceira melhor defesa, dados que os levam a ter o melhor saldo de gols do torneio.

O Wolverhampton já deixou importantes rivais pelo caminho, como o Aston Villa. Porém, quando enfrentou Cardiff e Sheffield United, os dois principais perseguidores na tabela, perdeu.

Nuno Espírito Santo surfa a onda da Premier League e tem alinhado sua equipe no esquema tático 3-4-3, com liberdade para seus talentosos e rápidos atacantes. A equipe segue formação, incorporou atletas novos, e tem agradado o treinador português:

“Foi um resultado muito bom e um desempenho fantástico – parabéns aos garotos! Penso que jogamos um futebol muito bom – estivemos totalmente em controle do jogo […] Todos estão evoluindo, quem entra no time está aproveitando sua chance e estamos crescendo juntos”, disse o comandante ao site oficial do clube, após o triunfo contra o Aston Villa.

 

Alguns dados ajudam a entender como o time joga. Agressivo, é o segundo colocado no ranking de desarmes por jogo, o sexto em interceptações e também o sexto que menos faltas comete. Ou seja: é forte na recuperação da bola.

Além disso, registra o quarto melhor aproveitamento de passes(80,8%), ocupando a mesma posição na estatística de passes curtos. Por último, é o quinto time que menos aposta em bolas longas. Os Wolves gostam da bola, preferencialmente no chão.

Nos momentos sem a bola, o Wolverhampton vai com toda a fome recuperá-la. Com a posse, trata o esférico com zelo, sem precipitações e evitando chutões, ainda característicos do futebol inglês nas divisões inferiores. Outra característica marcante é a qualidade dos contragolpes: nenhum time marcou mais gols neste tipo de situação.

Em síntese, trata-se de uma equipe, que pressiona muito seus rivais e gere a bola conforme a situação: contra defesas fechadas, trabalha-a e cria o espaço; quando tem terreno para correr, promove contragolpes em velocidade.

Wolves Championship 2017-18

Foto: Reprodução

Com jogadores jovens e habilidosos, que ainda precisam se provar no cenário do futebol mundial, o Wolverhampton se lança como um candidato ao acesso à Premier League. A influência de Jorge Mendes é indiscutível e vai rendendo frutos. No momento, o torcedor só quer comemorar, pois a cada rodada vai se tornando mais concreta a chance de sair do ostracismo.

Wladimir Dias

Idealizador d'O Futebólogo. Advogado, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Escrita Criativa. Mestre em Ciências da Comunicação. Colaborou com Doentes por Futebol, Chelsea Brasil, Bundesliga Brasil, ESPN FC, These Football Times, revistas Corner e Placar. Fundou a Revista Relvado.

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