Ben Woodburn, uma esperança em vermelho

PENSAR EM PONTAS GALESES de grande talento é fácil. Logo vêm à mente os nomes de Ryan Giggs e Gareth Bale, ambos criados no futebol inglês. Fruto de um contexto semelhante, Ben Woodburn, uma das promessas do Liverpool em quem o treinador Jürgen Klopp mais deposita esperanças, começa a construir sua trajetória, sempre de vermelho: ora o da tradicional camisa dos Reds e, desde o início de setembro último, também o de seu país.

Woodburn Liverpool

Foto: Simon Stacpoole/Offside/Getty Images

Um meteoro que não atropela etapas

Aos 17 anos, Woodburn vive um sonho: impressionou Klopp na pré-temporada de 2016-17 e passou a integrar os profissionais do clube que o recebeu aos 8. A estreia não tardou, foi logo em novembro daquela campanha. Embora tenha durado pouco mais de um minuto, a oportunidade serviu para mostrar que outras viriam, uma vez mantidos seu foco e desempenho nos treinamentos. Foram mais oito partidas na temporada de estreia, incluídos dois jogos completos na Copa da Inglaterra.

A maturidade de seu jogo dá confiança a Klopp para utilizá-lo. O processo tem sido comedido, parcimonioso, sem queimar etapas. O treinador germânico reconhece que está diante de um talento imenso, mas tem a consciência de que é preciso paciência. Há, ainda, outro lado a ser considerado: o Liverpool conta com muitas alternativas de qualidade para exercer as funções típicas de Woodburn — gente da qualidade de Philippe Coutinho, Sadio Mané ou Mohamed Salah.

Para todos os efeitos, Woodburn já está na história dos Reds. Em 29 de novembro de 2016, tornou-se o mais jovem a marcar um gol pelo clube. Tinha 17 anos e 45 dias, quando balançou as redes em vitória contra o Leeds United, na Copa da Liga Inglesa. O atacante superou ninguém menos que Michael Owen, centroavante que ficou conhecido no final dos anos 1990 como Golden Boy e que se cansou de marcar gols em Anfield Road.

Woodburn Liverpool Klopp

Foto: Phil Noble/Reuters

“Nos damos a liberdade de educá-lo nos treinamentos, ele jogará sempre que for necessário. Todos conhecemos histórias de garotos absurdamente habilidosos, e por causa de uma ou duas coisas, especialmente por conta de impaciência, as coisas mudam.

Tenho, no mínimo, 50% de responsabilidade por seu desenvolvimento, o resto é do jogador, família e tudo o mais. Sabemos qual é a nossa responsabilidade e estamos realmente prontos para viver com ela e ajudá-lo. Isso não quer dizer que ele não possa começar agora, ou amanhã. Sim, ele pode”, refletiu o treinador em entrevista veiculada pelo Liverpool Echo.

Na seleção é diferente

Sem a mesma fartura encontrada na The Kop, a seleção galesa iniciou o processo de integração do atacante ao elenco adulto e colheu frutos imediatos.

Deixando o banco de reservas em partidas eliminatórias contra Áustria e Moldávia, Woodburn marcou em sua estreia pelos Dragons e assegurou vitória contra os austríacos, pela margem mínima. No segundo jogo, proveu assistência para Hal Robson-Kanu cumprimentar as redes. Foram dois jogos, com duas contribuições diretas para gols e o prodígio ajudou a recolocar o País de Gales na zona de repescagem para a Copa do Mundo de 2018.

Os holofotes voltaram ao jovem. Não poderia ser diferente. Com personalidade, deu seus primeiros e importantes passos com a camisa de Gales e mais que isso: foi decisivo.

Woodburn Gareth Bale

Foto: Reprodução

O teto é alto

No campo, pouco importa que seja destro e atue preferencialmente pelo lado esquerdo.

A qualidade no manejo da bola com os dois pés permite tanto que o garoto vá à linha de fundo quanto que carregue-a em direção ao centro, para finalizar — conforme a sorte e o desenho de cada partida. Seu estilo projeta esperança para o futuro: Ben é rápido, vence duelos físicos, é resiliente e não desiste das jogadas facilmente, e, coroando, ainda tem a técnica para acertar os gestos técnicos necessários às jogadas projetadas em sua cabeça.

Em 2017-18, ainda não foi utilizado em partidas oficiais do Liverpool, mas como Klopp pontuou, Woodburn está em observação, pronto para entrar quando necessário. A chegada do versátil Alex Oxlade-Chamberlain acirrou a disputa por um lugar nos Reds. Entretanto, o novo produto das categorias de base liverpuldianas é jovem demais. Quando menos se esperar, poderá integrar o onze inicial da equipe. Personalidade, qualidade técnica e margem para evolução não faltam.

Wladimir Dias

Idealizador d'O Futebólogo. Advogado, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Escrita Criativa. Mestre em Ciências da Comunicação. Colaborou com Doentes por Futebol, Chelsea Brasil, Bundesliga Brasil, ESPN FC, These Football Times, revistas Corner e Placar. Fundou a Revista Relvado.

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