Dzeko e Salah: protagonistas do melhor ataque da Roma

PELA SEXTA VEZ CONSECUTIVA, a Juventus conquistou o Campeonato Italiano. Teve, porém, a Roma em sua perseguição. Com as melhores temporadas de suas carreiras até então, o bósnio Edin Dzeko e o egípcio Mohamed Salah conduziram a equipe da capital a marcas históricas e formaram uma das duplas mais produtivas do futebol europeu em 2016-17.

Edin Dzeko Mohamed Salah Roma

Foto: Reprodução

Desde que a Serie A passou a ser disputada por 20 equipes, a Roma jamais havia marcado tantos gols em uma edição do campeonato. O recorde anterior, de 83 tentos, fora estabelecido em 2015-16. O marco individual pertencia aos 26 gols de Francesco Totti, em 2006-07. Ao fim da temporada, ambos haviam sido superados.

Destruidores de recordes

A marca coletiva saltou para 90 gols. A individual foi pulverizada por Dzeko, que, aos 31 anos, terminou como artilheiro da competição, com 29 tentos. Dries Mertens, do Napoli, com 28, e Andrea Belotti, do Torino, com 26, chegaram perto. O bósnio não se limitou a finalizar: também contribuiu para a construção das jogadas e encerrou o campeonato com nove assistências.

“Ele é um cara sensível, sente o peso da responsabilidade. Quando as coisas não estavam indo bem, ele estava chateado e trabalhou muito. Então ele começou, novamente, a mostrar às pessoas o que pode fazer […] Ele é um grande jogador e se puder encontrar o equilíbrio ideal, se tornará um jogador excepcional”, disse o treinador Luciano Spalletti, em fevereiro, ao site oficial da Roma.

Pouco aproveitado pelo Chelsea e com passagem destacada pela Fiorentina, o egípcio encontrou em Roma o ambiente ideal para atingir seu melhor nível. A temporada anterior já havia sido produtiva, mas a de 2016-17 elevou seus números a um novo patamar.

Dzeko Roma

Foto: Reprodução

Aos 24 anos, Salah marcou 15 gols e deu 11 assistências na Serie A. A combinação entre os dois atacantes foi especialmente eficiente: o egípcio serviu Dzeko em sete ocasiões, enquanto o bósnio deu o passe decisivo para três gols do companheiro. Juntos, participaram diretamente de mais da metade dos gols romanistas no campeonato.

Contratados em circunstâncias favoráveis, por valores abaixo do que seu rendimento posterior sugeriria, os dois foram os grandes destaques individuais de uma equipe que apresentou futebol consistente, embora não tenha conseguido transformar sua produção ofensiva em títulos.

Dzeko também brilhou na Liga Europa, com dois hat-tricks. Salah, por sua vez, marcou três vezes em uma única partida contra o Bologna.

Feitos um para o outro

“Penso que Momo é um grande jogador. Quando Momo está lá, é mais fácil jogar, sei que ele é o cara que irá sempre correr nos espaços e sempre tenho a opção de jogar com ele nos espaços”, disse Dzeko no início de maio, também ao site oficial da Roma.

No conjunto da temporada, o centroavante bósnio marcou 39 gols, enquanto o ponta egípcio chegou a 19 tentos e 15 assistências. Salah poderia ter ampliado ainda mais seus números caso não tivesse se ausentado no início de 2017 para disputar a Copa Africana de Nações.

Mohamed Salah Roma

Foto: Reprodução

Forte no jogo aéreo, eficiente no pivô e dono de uma finalização precisa, Dzeko encarna o centroavante de referência. Salah, por outro lado, combina drible, velocidade e capacidade de romper linhas partindo dos lados do campo. Enquanto um oferece sustentação ao ataque, o outro explora os espaços criados.

Apesar da campanha histórica, a Roma terminou atrás da Juventus, e o desempenho dos dois atacantes alimenta especulações sobre o futuro. Dzeko passou a ser associado ao Milan, enquanto Salah é ligado a um possível retorno à Premier League, desta vez para defender o Liverpool.

A janela de transferências ainda reserva capítulos. Para a Roma, resta reconhecer o tamanho da temporada de seus dois principais atacantes: um centroavante que reencontrou sua melhor versão e um ponta que transformou velocidade e talento em números de elite. Em 2016-17 fizeram da produção ofensiva romanista algo extraordinário.

Wladimir Dias

Idealizador d'O Futebólogo. Advogado, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Escrita Criativa. Mestre em Ciências da Comunicação. Colaborou com Doentes por Futebol, Chelsea Brasil, Bundesliga Brasil, ESPN FC, These Football Times, revistas Corner e Placar. Fundou a Revista Relvado.

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