No Watford, Richarlison tem grande desafio e pode dar certo

ELE ERA UM DOS DESTAQUES de um heróico Fluminense, um time com poucos recursos financeiros, muita juventude e um treinador experiente e tarimbado. Ainda assim, nada mais do que um garoto de 20 anos. O atacante Richarlison apostou alto ao se mudar para o Watford, clube inglês de modestas pretensões e que por pouco escapou do rebaixamento na Premier League 2016-17. No entanto, o jogador formado no América Mineiro reúne condições para ser bem-sucedido na Inglaterra.

Richarlison Watford

Foto: Watford FC

O planejamento do Watford para a temporada 2017-18 começou com a contratação do treinador português Marco Silva. Reconhecido pelo trabalho desenvolvido no Estoril e com boa participação na tentativa de salvamento do Hull City no ano anterior, em que, apesar da evolução, o rebaixamento foi inevitável, o jovem de 40 anos chegou tido em alta conta.

Silva é o primeiro indício de que o caminho escolhido por Richarlison pode render bons frutos. Idioma não será problema e, além disso, o comandante é reconhecido pelas capacidades para desenvolver jovens talentos. Entre outros casos, é lembrado como o responsável pela afirmação do meia João Mário, quando treinou o Sporting CP.

“Desde que começamos [o trabalho], observamos e analisamos jogadores que podem jogar nos lados. Ele [Richarlison] joga em três posições no ataque e é um jovem, mas realmente um jogador talentoso. Ele tem as características que penso que precisamos”, disse Marco Silva ao site oficial do Watford.

Marco Silva Watford

Foto: Getty Images

Não é apenas o técnico dos Hornets que pode ser fundamental para a adaptação de Richarlison ao time. A presença do experiente goleiro Gomes pode ajudar.

Aos 36 anos, e desde 2008 na Inglaterra, excetuado um breve empréstimo de seis meses ao Hoffenheim, também surgiu no futebol mineiro e representou o Brasil em categorias de base. Embora já fosse campeão nacional, partiu para a Europa ainda jovem, aos 23 anos. Mais de uma década após, tem o que compartilhar com o novo companheiro.

Juventude é o caminho

Além de Richarlison, chegaram peças como Will Hughes e Nathaniel Chalobah, jogadores da seleção inglesa sub-21. O processo de renovação é urgente e acontece acelerado. Mesmo com as novas incorporações, o Watford ainda é o terceiro clube com a maior média de idade da Premier League. Em julho, Marco Silva já havia comentado que escolhera o clube “pelo futuro” e a “ambição de crescimento”.

A presença de jogadores experientes, por outro lado, diminui a pressão sob os ombros dos garotos. As referências da equipe são justamente os atletas mais rodados, como Gomes, os atacantes Troy Deeney e Stefano Okaka e o zagueiro Younès Kaboul. Richarlison ingressa em um contexto de pressão inferior àquela que enfrentaria, caso tivesse partido imediatamente para um clube de pretensões maiores.

No campo, o brasileiro deve ser utilizado pelas pontas, abusando de sua explosão física, além da boa capacidade de finalização. Diante da forte concorrência que enfrenta, não deve ter oportunidades como referência. Deeney, Okaka, e o também recém-chegado Andre Gray, são especialistas da função e largam na frente por uma posição no comando do ataque do Watford.

Richarlison Brazil U20

Foto: Reprodução/CBF

Inserido no atual Eldorado do futebol europeu, já aos 20 anos Richarlison jogará no mais alto nível. Enfrentará grandes craques e poderá se desenvolver. A titularidade do Watford parece questão de pouco tempo.

Os primeiros sinais

Na primeira rodada da Premier League, entrou pouco após o início do segundo tempo. Atuando pela ponta esquerda, viveu a primeira amostra de seu futuro. Não foi bem na partida, mas não se escondeu.

Em 41 minutos, chutou duas vezes ao gol do Liverpool, participando da jogada do gol que selou o resultado final, empate por 3 a 3. O brasileiro finalizou com pouco ângulo, mas obrigou o goleiro Simon Mignolet a fazer defesa e a bola sobrou para o zagueiro Miguel Britos igualar o placar.

Desde seus primeiros minutos em campo representando os Hornets, Richarlison mostrou aos torcedores presentes no estádio Vicarage Road, o que se pode esperar dele: luta, força física e entrega. Envergando a camisa 11, promete dar continuidade a sua evolução. Ele esteve ligado a clubes como Ajax e Chelsea, mas há motivos para enxergar no Watford um bom destino. Difícil e desafiador, pois o objetivo coletivo é apenas a permanência na elite, mas acertada.

Wladimir Dias

Idealizador d'O Futebólogo. Advogado, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Escrita Criativa. Mestre em Ciências da Comunicação. Colaborou com Doentes por Futebol, Chelsea Brasil, Bundesliga Brasil, ESPN FC, These Football Times, revistas Corner e Placar. Fundou a Revista Relvado.

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