Há espaço para Javier Pastore em um PSG cada vez mais estelar?
A PRINCIPAL NOTÍCIA da janela de transferências europeia de 2017-18 é a contratação de Neymar pelo Paris Saint-Germain e não há como fugir disso. O brasileiro chega ao Parc des Princes para mudar o clube de patamar e conta como parceiros de altíssimo nível. Diante desse cenário, surgiu outra notícia: o talentoso, mas muitas vezes lesionado e pouco utilizado, Javier Pastore aceitou ceder a camisa 10, voltando a envergar a 27. Mesmo tendo atuado pouco no último ano, não tem sua saída especulada, ao contrário de outros jogadores, como Julian Draxler. Ainda há espaço para o argentino no time parisiense?

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Talento que não se discute
Basta um toque na bola para que se note a categoria do pé direito do argentino. É assim desde os 19 anos.
O Torneo Clausura de 2009 testemunhou o surgimento de mais um craque argentino, destinado a vestir a camisa Albiceleste e desfilar seu talento pelo mundo. Sob a batuta de Ángel Cappa, foi o astro de um Huracán que jogava bonito, e por muito pouco não conquistou o título nacional. Tais credenciais o levaram ao Palermo e à Copa do Mundo de 2010.
Na Sicília, seu desenvolvimento seguiu na mesma toada. Com a parceria de Edinson Cavani e Fabrizio Micolli — o “Romário da Sicília” —, marcou três gols e criou cinco assistências no primeiro Campeonato Italiano que disputou, em 2009-10. No segundo, a marca subiu para 11 tentos e os mesmos cinco passes para gols.

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Esse desempenho, somado às constantes convocações, levou o Paris Saint-Germain, sob o impulso econômico do emir do Catar, Nasser Al-Khelaifi, a desembolsar 40 milhões de euros pela contratação do argentino. O meia se tornava a contratação mais cara da história do PSG; aos 22 anos, afirmava-se uma das maiores esperanças de um futuro de glórias pelos parisienses, ainda com margem para evolução.
Uma história de títulos… e de lesões
Demoraria ainda uma temporada para que desembarcassem no clube Zlatan Ibrahimovic e Thiago Silva, aumentando o quilate da equipe. Contudo, já naquele momento chegavam jogadores importantes para o desenvolvimento do clube, como Blaise Matuidi e, na metade da temporada, Maxwell e Thiago Motta.
Não havia dúvidas, ainda assim, que a contratação fundamental para o sucesso daquela temporada era Pastore. Ao lado do brasileiro Nenê, foi o protagonista de um ano em que o clube não pôs fim ao jejum que perdurava desde 1994. O surpreendente Montpellier venceu a Ligue 1. Desde então, o argentino participou da conquista de quatro títulos da Ligue 1, quatros da Copa da Liga Francesa e outros três da Copa da França.

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Apesar disso, a cada temporada o meia foi atuando menos e exercendo menos influência no jogo parisiense. Diversas lesões afetaram sua minutagem. Na temporada 2016-17, disputou apenas 23 partidas (12 como reserva). Pior: esteve em campo apenas 1.151 minutos — 50, em média em por jogo.
Com a concorrência de Neymar, Draxler, Ángel Di María, Lucas Moura, Gonçalo Guedes, Adrien Rabiot e, até mesmo, de Hatem Ben Arfa, ainda é viável encaixar Pastore no time de Unai Emery? Para o treinador, sim.
“Conversei muito com Pastore, ele é um jogador importante. Mas a primeira coisa é a consistência nos treinos e partidas, ele está pronto. Passou dois anos com muitas lesões. Ele não estava preparado para ajudar o time quando queríamos e quando precisamos dele. Esse ano é diferente […] No fim das contas, quando ele veio aqui hoje, com seu talento individual e habilidade para ajudar o time, todos pudemos ver que ele é importante quando está no campo”, falou após uma goleada contra o Toulouse.
O desafio é encontrar um lugar para o argentino
Desde a chegada de Neymar ao Parc des Princes, muito tem sido especulado a respeito da continuidade de alguns de seus parceiros do setor ofensivo. As iminentes saídas de Draxler e Lucas preenchem manchetes, o que é natural por dois motivos: 1) o aumento da concorrência pela titularidade, com a certeza de que Neymar estará sempre no XI inicial; e 2) os valores empregados na contratação do astro brasileiro.
Ainda assim, pouco se fala sobre Pastore, esquecido nos últimos dois anos. A verdade é que o jogador começou bem a temporada 2017-18, com quatro partidas disputadas e dois gols marcados. Mantendo o nível, o argentino tende a recuperar espaço na equipe, mas qual a melhor forma de encaixá-lo? Ao que tudo indica, no meio-campo, como criador de jogadas.
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Emery aposta no 4-2-3-1 como esquema tático base, preferência que carrega desde os tempos de Sevilla. A ponta esquerda é de Neymar e o centroavante, Edinson Cavani. Na direita, a tendência é a manutenção de Di María, apesar da forte concorrência. Sobra um espaço, que o treinador sofreu para ocupar na última temporada.
Sem um articulador confiável, o espanhol utilizou muitas vezes o 4-3-3, apostando em um meio-campo mais robusto, com três de suas quatro opções mais comuns: Motta, Matuidi, Marco Verrati e Rabiot. Nem Draxler e nem Ben Arfa, alternativas criativas, ocuparam tal espaço. Saudável, Pastore oferece essa alternativa; permite que Emery volte a utilizar seu esquema tático preferido, como era na Andaluzia, em que alinhava Grzegorz Krychowiak e Steven N’Zonzi por trás de Ever Banega.
Pastore tem muita qualidade técnica. Passa a bola com precisão, é criativo, capaz de se aproximar dos atacantes e de marcar gols. Embora não seja bom marcador, ocupa bem os espaços e ajuda na recomposição defensiva. Melhorando a forma física e deixando para trás as lesões, pode atuar com frequência, mesmo em um contexto a cada dia mais estelar.

