A maturidade de Andrés Guardado no Real Betis
APESAR DO RENASCIMENTO do Valencia sob a batuta de Marcelino Toral, e da contínua mostra de força do Sevilla, a grande surpresa do início do Campeonato Espanhol 2017-18 são as performances do rival de outro andaluz, o Real Betis. Comandados por Quique Sétien, responsável por estabelecer um futebol instigante no Las Palmas , os Verdiblancos jogam com classe, voltados para o domínio da posse e o ataque. Para tanto, algumas peças vêm sendo determinantes, notadamente Andrés Guardado. Após os 30 anos, o mexicano se afirma um grande meio-campista central.

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Tudo começa na Galícia
Lá se vai uma década desde que o jogador partiu para o Velho Continente, quando era pretendido por várias equipes.
Em busca de um substituto para Roberto Carlos, o Real Madrid formalizou oferta ao Atlas pelo jogador. No entanto, a perspectiva de passar um período junto à segunda equipe madrilena, o Castilla, não atraiu Guardado. Dias depois, desembarcou em La Coruña. Então, era um ala pelo flanco esquerdo, habilidoso e versátil. Executava, com qualidade, qualquer função daquele lado.
Foi no Deportivo que passou a maior parte da carreira. Contudo, já não era uma equipe em boa fase e, em algum momento, foi necessário procurar novos desafios. Foram 143 partidas disputadas e 25 tentos anotados, além de várias assistências.
“Ali deixei boas recordações. É uma segunda casa. Estive cinco anos e vivi de tudo, Europa [disputas continentais] e Segunda [divisão]”, revelou em entrevista coletiva recente.

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De Valencia à Holanda
O mexicano continuou a carreira no Valencia. No Mestalla, foi utilizado na lateral na maior parte de sua passagem de um ano e meio. Sem muito brilho, foi repassado ao Bayer Leverkusen por metade da temporada 2013-14. Novamente, sem deixar saudades.
A despeito de sua influência com a camisa da seleção mexicana, que capitaneia e é o quinto com mais internacionalizações, precisou retroceder para alcançar o melhor nível de sua trajetória: rumou para o futebol holandês, assinando com o PSV Eindhoven.
Representando os Boeren, inicialmente por empréstimo, provou que seu talento ficava subaproveitado pelo lado. A visão de jogo e a qualidade para distribuir bolas foi descoberta. O PSV possuía um elenco forte e não havia espaço para Andrés pelo lado. A toda potência pela esquerda, o time contava com o lateral Jetro Willems e o ponteiro Memphis Depay. Não havia espaço para Guardado por ali. Então, o mexicano foi convertido em eixo central do time, ao lado de Georginio Wijnaldum.
A qualidade do pé canhoto de Andrés, antes percebida em seus chutes, cruzamentos e cobranças de falta, passou a ser notada nos passes. Atuando pelo meio, tornou-se o cérebro do onze inicial, peça fundamental na saída de bola e construção de jogo. Os gols dos tempos de Dépor rarearam, mas as assistências aumentaram. O carillero deu lugar ao organizador.
Em suas duas últimas temporadas pelo time holandês, ofertou nove assistências em cada uma. A média de 30 a 40 passes por partida dos tempos de ala superou o patamar dos 60 com a mudança de posição. Esse é o jogador que retornou à Espanha protagonista do renascimento bético.

Engrenagem central no Betis
Quique Sétien enxergou no mexicano a peça perfeita para desempenhar o papel que entregava a Roque Mesa em seu tempo no Las Palmas. No último ano, seu ex-comandado se tornou um dos jogadores mais elogiados da Espanha e carimbou seu passaporte para a Premier League, firmando contrato com o Swansea.
Em suas primeiras sete partidas como jogador do clube andaluz, Guardado soma seis assistências. Apresenta, ainda, média de 85,7% de aproveitamento de passes e oferece aproximadamente 2,6 passes-chave por encontro.
“[Guardado] Nos deu várias assistências, tem uma qualidade enorme, uma capacidade de trabalho enorme. Ninguém chega a jogar 140 partidas internacionais nem todos os de liga sendo um qualquer. Guardado é um dez enorme. Nos dará muito, mas é preciso cuidar dele, o queremos para o ano inteiro”, disse o treinador em entrevista coletiva.
Entre os meio-campistas do clube, apenas o volante Javi García, fiel escudeiro do mexicano, tem mais passes entregues na temporada. Aliás, em seu retorno à La Liga, após passar por Benfica, Manchester City e Zenit, o espanhol é outro atleta fulcral para os planos do jogo de posição de Sétien, protagonista da saída de bola com três atletas, famosa pela aplicação de Pep Guardiola.
Sétien chegou ao Betis para dar nova cara ao time. Ainda sofre muitos gols, mas também marca em grande quantidade — são 14 marcados e 11 sofridos. Um de seus méritos foi buscar no mercado peças capazes de lhe permitir a execução de sua proposta. Encontrou em Guardado um jogador maduro e experimentado. Alguém que atuou em várias funções diferentes durante a carreira, disputou competições europeias, Copas do Mundo por sua seleção nacional, já foi preterido e renasceu em outra posição.
Com a camisa alviverde, Andrés mostra como foi útil sua partida para a Holanda. Aos 31, é muito mais influente do que aos 20.

